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A era do micro-ondas acabou e este novo aparelho polémico é o responsável.

Pessoa retira lasanha fumegante de uma fritadeira a ar na cozinha ao lado de um micro-ondas.

A tecla do painel está gasta, a porta range, e aquele pequeno prato de vidro giratório está lascado de lado. E, ainda assim, muitos de nós carregam em “30 segundos” no piloto automático, a olhar para o telemóvel enquanto as sobras rodam numa luz amarelo‑pálida. Entretanto, um novo objeto apareceu discretamente nas bancadas das cozinhas. Elegante, anguloso, a zumbir com um tipo diferente de energia. Não apita - ronrona, baixinho.

Os amigos falam dele como se fosse uma seita. O TikTok está cheio de planos aproximados a chiar. As vendas disparam, enquanto as vendas de micro‑ondas mal mexem. Algo está claramente a mudar na forma como aquecemos, cozinhamos e improvisamos o jantar numa noite de terça‑feira. O “pi” do micro‑ondas começa a soar a internet por modem.

E o aparelho que o está a destronar é muito mais controverso do que alguém esperava.

A morte silenciosa da era do micro‑ondas

Entre agora em qualquer showroom de cozinhas novas e vai ver. Os micro‑ondas estão a ser empurrados para mais alto, mais pequenos, quase como um pormenor. Ao nível dos olhos, em destaque, está a estrela: a air fryer. Esse mini‑forno compacto, turbo‑carregado, está a roubar o lugar ao micro‑ondas - uma dose estaladiça de sobras de cada vez. A promessa é sedutora: mais rápida do que o forno, melhor do que o micro‑ondas, com muito menos óleo do que uma fritadeira.

O micro‑ondas, em comparação, tem um argumento estranho. É rápido, sim, mas transforma pizza em borracha e batatas fritas em tristes palitos alaranjados. É o rei da conveniência encharcada. A air fryer está a vender outra coisa: textura, cor, uma espécie de sensação “falso‑gourmet” que encaixa perfeitamente em stories do Instagram e “truques de jantar em 10 minutos”.

E isso está a mudar o que esperamos de uma refeição durante a semana.

Os números contam a história tão claramente como qualquer vídeo a chiar. Em grandes retalhistas nos EUA e na Europa, as vendas de air fryers dispararam para dezenas de milhões em poucos anos, enquanto as de micro‑ondas estão estagnadas ou até a cair. Um grande retalhista reportou que as air fryers ultrapassaram liquidificadores e torradeiras e passaram a ser um dos três eletrodomésticos de cozinha mais vendidos numa única época festiva. Isso simplesmente não acontece muitas vezes num mercado maduro como o dos eletrodomésticos.

Nas plataformas sociais, “receitas na air fryer” supera “receitas no micro‑ondas” por larga margem em pesquisas e envolvimento. Formaram‑se comunidades inteiras em torno de pequenas “cápsulas de convecção” de bancada, partilhando tabelas para cozinhar desde dumplings congelados até salmão inteiro. Uma cadeia britânica de supermercados já imprime tempos para air fryer diretamente nas embalagens, ao lado dos tempos de forno. Os micro‑ondas raramente recebem esse tipo de atenção.

O ponto de viragem não são apenas as vendas; é a cultura. Quando supermercados, influenciadores e marcas mudam, os hábitos seguem.

Porquê este aparelho, e porquê agora? Parte da resposta é geracional. Uma geração mais nova, que cresceu com apps de entregas, quer comida que pareça “cozinhada”, não reaquecida - mas não quer ficar ao fogão. A air fryer flutua entre esses dois mundos. Continua a ser uma solução de carregar num botão, mas o resultado tem crocância, dourado, aquele cheiro subtil de “cozinha a sério” a espalhar‑se pelo apartamento. Faz com que nuggets congelados pareçam uma escolha, não uma derrota.

Há também o “halo” da saúde. Os fabricantes falam em usar até menos 90% de óleo do que na fritura, e as pessoas gostam de acreditar que um cesto de batatas douradas é agora, de alguma forma, “melhor” do que antes. Nutricionistas reviram os olhos com o marketing, mas admitem baixinho que uma batata feita na air fryer bate uma frita por imersão na maioria dos indicadores. O micro‑ondas não consegue competir a nível emocional. Não assa, não doura; limita‑se a agitar moléculas de água de um modo aborrecido e invisível.

O micro‑ondas continua a ganhar em pura velocidade para sopa ou café. Mas, na batalha do dia a dia pelos corações e pelas papilas gustativas, a air fryer está a dar os golpes mais fortes.

Como esta controversa “assassina do micro‑ondas” muda, na prática, a sua forma de cozinhar

O truque com a air fryer é parar de a tratar como uma caixa mágica e começar a tratá‑la como um forno pequeno e super‑rápido. A maior mudança de mentalidade: pensar em camadas e em espaço. A comida precisa de espaço para o ar quente circular. Quando empilha batatas como areia num balde, obtém vapor e papa. Espalhe numa camada solta, agite uma vez a meio, e de repente percebe o entusiasmo. A mesma comida congelada, a mesma marca, uma sensação na boca completamente diferente.

O tempo também muda a sua rotina. Frango assado de sobra, que secaria no forno e ficaria borrachudo no micro‑ondas, ganha vida a uma temperatura mais baixa durante alguns minutos. Pizza fria recupera a base estaladiça e o queijo elástico com dois ou três ciclos curtos em vez de um cozinhado longo. Não precisa de um curso de culinária; precisa de curiosidade e da coragem de abrir o cesto e espreitar.

Os primeiros adeptos dizem que o verdadeiro segredo é aceitar um pouco de tentativa e erro em nome de melhor textura.

A maioria começa com batatas e nuggets e depois bate numa parede. Metem um peito de frango marinado e ele sai seco. Os legumes queimam nas pontas. E depois a air fryer vai para trás da bancada, com o rótulo “sobrestimada”. O que falta não é inteligência - são apenas algumas regras simples. Proteínas marinadas ou frescas precisam de menos calor e de uma viragem rápida. Legumes precisam de uma leve camada de óleo e de ser cortados em tamanhos semelhantes. É só isso.

A um nível humano, a air fryer também muda o ritmo da noite. Em vez de ficar a vigiar uma frigideira, atira legumes cortados, um punhado de grão‑de‑bico e um molho para o cesto, carrega em iniciar, e vai responder a um email ou ajudar nos trabalhos de casa. Quando apita, o cheiro parece estranhamente aspiracional para uma terça‑feira. Num dia mau, ainda vai ao micro‑ondas para aquecer sopa porque está exausto. Num dia melhor, deixa o ar quente fazer o trabalho pesado enquanto desliga a mente.

Todos já tivemos aquele momento em que são 21:30, o frigorífico está um caos, e estamos a um mau humor de distância de pedir comida que nem queremos. Esta caixinha transforma o caos em algo ligeiramente mais esperançoso.

Nem toda a gente aplaude, no entanto. Especialistas em nutrição alertam para a ilusão de que “agora tudo é saudável”. Ativistas ambientais apontam que mais um aparelho a gastar energia em milhões de bancadas não é propriamente uma vitória climática. E alguns cozinheiros à moda antiga simplesmente detestam o som e o aspeto de mais uma caixa de plástico a substituir uma panela.

“A air fryer não é uma revolução na saúde, é uma revolução na conveniência”, diz uma nutricionista de Londres com quem falei. “Bem utilizada, empurra as pessoas para cozinhar mais em casa. Mal utilizada, só torna a comida ultra‑processada mais apelativa.”

A verdade desconfortável é que ambas as coisas podem ser verdade ao mesmo tempo.

  • Reduz o óleo, mas pode incentivar mais petiscos.
  • Reduz o tempo de forno, mas aumenta o uso total de gadgets.
  • Torna a “cozinha preguiçosa” melhor, mas arrisca tornar a cozinha a sério mais rara.

Sejamos honestos: ninguém faz mesmo isto todos os dias.

Como poderá ser a cozinha “pós‑micro‑ondas”

Olhe com atenção para a forma como as pessoas estão a reorganizar as bancadas e verá uma revolução subtil. O micro‑ondas, outrora o símbolo supremo da conveniência, está a tornar‑se uma ferramenta de emergência: reaquecer café, amolecer manteiga, descongelar algo que se esqueceu de tirar. A air fryer está lentamente a tornar‑se o aparelho do dia a dia. Em apartamentos em open space, onde cada objeto visível faz parte da sua identidade, isso importa. Um gadget mate, preto, que promete “estaladiço” encaixa melhor na narrativa do que uma caixa bege a zumbir de 2010.

Os fabricantes já perceberam a mudança. Estão a sair fornos híbridos com modos de air fry integrados. Algumas marcas agora incluem grelhas para air fry nos modelos mais recentes, admitindo discretamente que o calor por convecção é o futuro que as pessoas querem. Ao mesmo tempo, os fabricantes de micro‑ondas estão a correr para adicionar pratos “crocantes” e funções de grelhador para se manterem relevantes. As linhas entre métodos de cozinhar estão a esbater‑se numa ideia única: calor rápido, melhor textura, menos esforço. Os consumidores não querem saber do jargão tecnológico; querem saber se lasanha fria sabe a arrependimento ou a jantar.

É aqui que o debate fica mais alto. Puristas argumentam que vigiar uma frigideira e entender o calor é uma competência que vale a pena proteger. Minimalistas contestam bancadas atulhadas e “mais uma ficha”. Ambientalistas levantam questões justas sobre consumo de energia e lixo eletrónico. Ainda assim, quando pergunta a pais cansados, estudantes em estúdios de 20 m² ou trabalhadores por turnos noturnos o que realmente melhora os seus dias, surge um padrão. Falam em poupar 20 minutos, transformar sobras moles em algo que realmente lhes apetece comer e sentir um bocadinho mais de controlo.

O micro‑ondas também não desapareceu de um dia para o outro quando chegou; simplesmente mudou rotinas. A air fryer está a fazer o mesmo - mas com uma banda sonora mais estaladiça.

Ponto‑chave Detalhe Interesse para o leitor
Air fryer vs micro‑ondas Textura estaladiça, dourado, tempos de cozedura próximos dos do micro‑ondas Escolher melhor o aparelho consoante o resultado gustativo pretendido
Impacto nos hábitos Mais “cozinha a sério” rápida, menos pratos amolecidos no micro‑ondas Adaptar o dia a dia para ganhar tempo sem sacrificar o prazer
Zona cinzenta saúde/energia Menos óleo, mas mais aparelhos e mais cozedura de alimentos ultra‑processados Manter sentido crítico face ao marketing e fazer escolhas informadas

FAQ:

  • A air fryer está mesmo a substituir o micro‑ondas? Não totalmente, mas está a roubar muitas das tarefas do dia a dia do micro‑ondas, sobretudo reaquecer e devolver crocância a alimentos sólidos como pizza, frango e batatas.
  • A comida da air fryer sabe melhor do que a do micro‑ondas? Para tudo o que precisa de textura ou dourar, sim - a maioria das pessoas prefere a air fryer. O micro‑ondas continua a funcionar muito bem para líquidos como sopa, molhos ou bebidas.
  • Cozinhar numa air fryer é realmente mais saudável? Pode ser, porque normalmente usa menos óleo do que fritar na frigideira ou por imersão, mas comida ultra‑processada não passa a ser “saudável” só por ter ido para a air fryer.
  • Uma air fryer gasta mais eletricidade do que um micro‑ondas? A potência (wattagem) é semelhante ou ligeiramente superior, mas os tempos de cozedura podem ser curtos e, por vezes, evita‑se pré‑aquecer um forno grande, o que pode equilibrar a balança.
  • Devo desfazer‑me do micro‑ondas se comprar uma air fryer? Não necessariamente; muitas casas mantêm ambos. O micro‑ondas continua a brilhar para aquecer líquidos rapidamente e descongelar depressa, enquanto a air fryer assume a maior parte do que envolve crocância e cozeduras em pequenas quantidades.

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