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Adeus multas: conheça as novas tolerâncias oficiais dos radares de velocidade para 2026.

Homem a conduzir num carro, usando GPS no seu smartphone, numa estrada rural durante o dia.

O homem no hatchback cinzento ainda não sabe.
Acabou de ser apanhado por um clarão branco intenso numa terça‑feira chuvosa de manhã, com uma cadeira de criança atrás e um café meio frio no porta‑copos. De imediato, percebe‑se pelo modo como as mãos apertam o volante: a matemática silenciosa de pontos, coimas, seguro, e um mês já demasiado longo para o seu salário.

Dois carros atrás, uma mulher murmura um insulto à caixa da câmara enquanto passa. Juras que estava “quase nem acima”.
Lá em cima, no pórtico, a câmara não quer saber. Ou, pelo menos, era assim que parecia. Até cair o anúncio para 2026.

Porque a forma como os radares “perdoam” pequenos erros está prestes a mudar.
E as novas tolerâncias oficiais trazem uma mensagem clara: adeus a muitas coimas no limite… mas não a todas.

A mudança de tolerâncias em 2026: o que muda, de facto

No papel, as novas regras parecem quase aborrecidas: números, margens, percentagens.
Na estrada, sentem‑se de forma muito diferente. A atualização de 2026 introduz tolerâncias oficiais mais elevadas para os radares de velocidade, sobretudo para aqueles pequenos excessos do tipo “só toquei um bocadinho no acelerador” que, na última década, somaram milhões em coimas.

Na maioria dos limites padrão, os radares serão calibrados para ignorar excessos muito pequenos que antes já desencadeavam multas automáticas.
Estamos a falar daquela faixa estreita em que está tecnicamente acima, mas não está a conduzir como um perigo. Para muitos condutores, esta é a diferença entre uma semana tensa e um encolher de ombros.

A nova base é simples à superfície: margens mais claras em que os radares não emitem coima, e limiares mais transparentes a partir dos quais emitem, sem dúvida.
Na prática, é uma escolha política tanto quanto técnica.

Tome‑se o clássico limite urbano de 50 km/h. Com as novas tolerâncias de 2026, os radares fixos começarão, em geral, a autuar apenas a partir de 56–57 km/h de velocidade registada, em vez de 53–54 km/h em algumas zonas atualmente.
As unidades móveis e os sistemas de velocidade média seguirão uma lógica semelhante, com uma “margem” explícita escrita nas orientações, em vez de apenas sussurrada em fóruns e conversas de grupo.

Nas autoestradas, a mudança é ainda mais palpável. Para um limite de 130 km/h, a zona “sem coima” estender‑se‑á até cerca de 138–140 km/h indicados em muitos painéis modernos, quando se considera a tolerância do radar e o enviesamento do velocímetro do veículo.
Isto não legaliza magicamente os 140, mas reduz bastante a probabilidade de coima num ultrapassagem breve e realista ou num pico momentâneo ajudado por uma descida.

Analistas de tráfego apontam algo interessante. Quando os condutores acreditam que os radares são implacáveis, tendem a fazer “ioiô”: travagem forte em cada pórtico e, depois, aceleração logo a seguir.
As novas tolerâncias procuram suavizar esse comportamento. Uma pequena margem de segurança reconhece que humanos não conduzem como robôs e que a segurança rodoviária é feita de padrões, não de segundos isolados.

A lógica é suficientemente direta: concentrar a fiscalização em velocidades realmente perigosas.
Se estiver 20 km/h ou mais acima do limite, as regras de 2026 serão mais duras do que antes, com menos dispensas discricionárias e, em algumas regiões, mais pontos. Pequenos deslizes ganham mais folga. Pés pesados recebem menos misericórdia.

Como conduzir com as novas tolerâncias (sem jogar à roleta)

A forma mais inteligente de usar estas novas regras não é “explorá‑las”, mas deixá‑las reduzir o stress.
Um método prático: escolher um teto pessoal alguns km/h abaixo do ponto em que a nova tolerância entra em ação e tratá‑lo como o seu limite real.

Numa estrada de 50, isso pode significar ficar mentalmente nos 48 no velocímetro, para que, mesmo que derive para 52 por alguns segundos, continue seguro - tanto em termos de segurança como de coimas.
Em autoestrada, definir o cruise control dois ou três km/h abaixo da sua velocidade de conforto cria uma margem tranquila que não tem de estar sempre a vigiar.

Parece técnico, mas é sobretudo paz de espírito.
Conduz “dentro de uma nuvem” em vez de numa lâmina, sabendo que a tolerância atualizada do radar está lá como reserva, não como armadilha.

Eis a armadilha em que muitas pessoas já estão a cair com as notícias de 2026: usar as novas tolerâncias como alvo.
Ouvem “sem multa abaixo de 57” e passam a conduzir a… 57. Sempre. Em todo o lado.

Essa mentalidade transforma uma margem de segurança numa linha de corrida. E ignora uma verdade incómoda: nem todos os radares são idênticos, e nem todas as regiões interpretarão as orientações no limite máximo da benevolência.
A lei da velocidade é nacional; a cultura de fiscalização é local.

Além disso, as condições de trânsito mudam mais depressa do que qualquer manual oficial. Piso molhado, crianças perto de uma passadeira, um ciclista a cambalear com o vento - nada disso quer saber que o seu GPS diz que está “dentro da tolerância”.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, olhar para cada sinal, cada radar, cada meteorologia, como um piloto de testes concentrado a 100%.

O objetivo para 2026 não é a perfeição; é margens mais gentis quando estamos perto e dentes mais afiados quando estamos muito fora.

“As novas tolerâncias não são uma licença para acelerar”, explica um responsável de segurança rodoviária que trabalhou no quadro de 2026. “São o reconhecimento de que pessoas reais conduzem carros reais em trânsito real. Queremos que a fiscalização pareça justa, não aleatória.”

Por baixo dessa citação há uma mudança cultural silenciosa. As autoridades sabem que, se os condutores virem os radares apenas como máquinas de fazer dinheiro, o respeito pelas regras colapsa.
Ao publicar tolerâncias de forma aberta e ao alargá‑las ligeiramente, apostam em algo frágil: confiança.

Ao nível humano, o anúncio traduz‑se assim:

  • Mais folga para pequenos erros do dia a dia
  • Postura mais dura face a grandes excessos deliberados
  • Menos mistério sobre “quanto acima” dispara um flash

Ao nível pessoal, empurra cada um de nós para uma pergunta simples: estou a usar esta margem como proteção… ou como permissão?

O que estas novas margens mudam mesmo para si (e o que não mudam)

Pergunte num parque de estacionamento ou num café e ouvirá as mesmas histórias.
O condutor que perdeu o prémio porque apanhou uma multa parva por 54 num limite de 50 a caminho do turno da noite. O pai ou mãe que abriu um envelope grosso e sentiu o coração cair antes sequer de ler o número.

As tolerâncias de 2026 não apagam essas memórias, mas podem evitar muitos “gémeos” no futuro.
Menos multas no limite significam menos cartas a chegar com aquele peso frio e burocrático. Também alivia a pressão sobre o total de pontos que ia sendo desgastado por infrações quase insignificantes.

Ao mesmo tempo, nada aqui protege magicamente comportamentos imprudentes.
Se alguma coisa, o excesso de velocidade elevado fica mais exposto do que antes, porque os recursos de fiscalização deixam de perseguir excedentes de 3–4 km/h e voltam‑se para o grupo dos +20 km/h.

Do ponto de vista tecnológico, a história é fascinante. Os radares modernos já medem com grande precisão, corrigindo ângulo, tipo de veículo e até meteorologia em alguns sistemas.
O que muda em 2026 não é a capacidade, mas as instruções.

Atualizações de software e novos padrões de calibração definem as novas bandas de tolerância. Isso significa que um radar “gatilho fácil” em 2024 pode, em teoria, tornar‑se “mais calmo” em 2026 sem ninguém tocar na caixa metálica.
É uma mudança de regras, não uma substituição em massa de hardware.

Há também um efeito secundário silencioso na psicologia da condução. Quando as pessoas sentem que tudo é punível, desligam‑se. Quando sentem que nada é fiscalizado, esticam limites até algo correr mal.
As novas tolerâncias procuram criar um meio‑termo em que a condução normal é deixada em paz e as velocidades genuinamente perigosas recebem uma resposta rápida e previsível.

Um enquadramento diz que isto é sobre dinheiro - menos pequenas coimas, mais boa vontade pública.
Outro diz que é sobre alinhar dados com a realidade: as estatísticas de acidentes mostram que remover a camada de infrações menores pouco mexe no ponteiro da segurança, enquanto focar nas piores velocidades claramente mexe.

Todos conhecemos aquele momento em que o estômago se aperta porque viu o flash pelo retrovisor e, de imediato, rebobina os últimos trinta segundos na cabeça.
Em 2026, uma parte considerável desses flashes nunca se transformará em coimas. Mas os que se transformarem trarão uma mensagem mais clara: não estava só “um bocadinho acima”. Estava mesmo a forçar.

A tensão entre liberdade e controlo na estrada não vai desaparecer de um dia para o outro.
Estas novas tolerâncias suavizam as arestas do sistema, sem mudar o seu núcleo: os limites continuam a existir, os radares continuam a vigiar e a responsabilidade continua sentada no lugar do condutor.

O que muda é o clima emocional. Menos medo de punição arbitrária. Mais foco nas escolhas que realmente colocam vidas em risco.
É uma pequena mudança no papel - e uma enorme mudança na forma como uma deslocação matinal se sente.

À medida que 2026 se aproxima, as conversas junto à máquina de café no escritório e nos chats noturnos misturarão alívio com ceticismo. Uns brindarão ao “fim das multas parvas”. Outros dirão que nada muda.
A verdade, como quase sempre, estará algures no meio confuso, lá fora, no asfalto molhado e nas autoestradas encandeadas pelo sol.

Pode dar por si a passar por um radar e, pela primeira vez, não cerrar o maxilar. Ou pode optar por guardar uns km/h “no bolso”, por respeito por essa linha invisível entre o normal e o perigoso.
As novas tolerâncias convidam‑nos a renegociar essa linha - não apenas com o Estado, mas connosco.

Regras numa folha são uma coisa.
A forma como respiramos quando vemos aquela caixa cinzenta à beira da estrada é outra.

Ponto‑chave Detalhe Interesse para o leitor
Novas margens de tolerância Os radares ignoram mais os pequenos excessos de velocidade próximos do limite legal Menor risco de coimas por pequenos erros de condução
Prioridade aos grandes excessos Excedentes de +20 km/h e mais são alvo de fiscalização mais firme do que antes Perceber onde está, de facto, a zona de maior risco de multa e perda de pontos
Estratégia de condução Adotar uma “zona tampão” pessoal abaixo dos novos limiares técnicos Conduzir com mais serenidade, sem jogar à roleta com os radares

FAQ:

  • Vou mesmo receber menos multas de radar em 2026? Em muitos casos no limite, sim. As tolerâncias atualizadas significam que pequenos excessos momentâneos, próximos do limite, têm menor probabilidade de gerar coima, sobretudo em zonas com radares fixos.
  • Isto significa que posso legalmente conduzir acima do limite anunciado? Não. O limite legal não muda. As tolerâncias são margens de fiscalização, não um “bónus” de velocidade permitido.
  • Todos os radares serão atualizados com a mesma tolerância? Seguem orientações nacionais, mas a implementação pode variar consoante as autoridades locais e o tipo de sistema de radar instalado.
  • As infrações a alta velocidade serão punidas mais severamente? Sim. Com menos recursos desperdiçados em infrações mínimas, as autoridades planeiam focar‑se de forma mais consistente nos condutores que excedem os limites por margens maiores.
  • Como posso adaptar a minha condução a estas novas regras? Defina um limite de conforto ligeiramente abaixo do limite sinalizado, use cruise control quando fizer sentido e trate as novas tolerâncias como proteção contra pequenos deslizes - não como um alvo a atingir.

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