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Cientistas dizem que quem anda mais depressa que a média tende a ser mais bem-sucedido e inteligente do que quem anda devagar.

Homem de sobretudo caminha na rua com café e caderno, rodeado de pedestres e árvores de outono.

On olhamos para os nossos ecrãs, para os nossos pés, para os nossos pensamentos. No entanto, num passeio de centro da cidade, uma cena discreta repete-se em loop: alguns avançam depressa, cabeça erguida, trajecto claro. Outros arrastam-se um pouco, param, ziguezagueiam, hesitam no semáforo como se não tivessem para onde ir.

Investigadores em comportamento humano começam a afirmar que esta diferença não é apenas uma questão de estilo. Estaria ligada ao sucesso profissional, ao funcionamento do cérebro, à forma como se gere a própria vida. Caminhar mais depressa do que a média seria um verdadeiro indicador de sucesso e de inteligência prática.

Se este ritmo diz tanto, então os nossos passos talvez nos traiam. Ou nos revelem.

O que a sua velocidade a caminhar diz discretamente sobre si

Observe uma rua em hora de ponta. Sem querer, consegue adivinhar quem tem uma reunião importante, quem acaba de sair de uma entrevista, quem volta de um trabalho que detesta. A cadência dos passos já conta uma parte da história.

Os psicólogos falam de “velocidade de marcha espontânea”: o ritmo natural que adoptamos quando ninguém nos apressa. Os estudos mostram que quem caminha rapidamente tende a projectar-se mais longe, a estruturar o dia, a filtrar distracções. Atravessam a cidade como atravessam os seus projectos.

Os “caminhantes lentos” não são necessariamente preguiçosos. Mas o seu passo mais lento está muitas vezes correlacionado com mais ruminação, mais hesitação, uma relação com o tempo menos apertada. O corpo expõe a relação que temos com a urgência e a clareza.

Um grande estudo realizado no Reino Unido, com mais de 400 000 pessoas, estabeleceu uma ligação impressionante entre velocidade de marcha e saúde global. Os caminhantes rápidos viviam mais tempo, tinham menos risco cardiovascular… e apresentavam, em média, melhor desempenho cognitivo. O cérebro parecia gerir a informação de forma mais eficaz.

Outro trabalho, conduzido por investigadores norte-americanos, observou quadros superiores num bairro de negócios. Os que caminhavam mais depressa entre reuniões fechavam mais contratos e subiam mais depressa na hierarquia. As entrevistas revelaram que planeavam mais, delegavam melhor e toleravam mal o tempo morto.

Todos já vivemos aquele momento em que se anda ao acaso depois de uma má notícia, sem saber onde colocar a energia. Pelo contrário, no dia de uma apresentação crucial ou do primeiro dia de trabalho, os pés aceleram sozinhos. Este contraste não é insignificante: traduz um nível de mobilização mental, de foco, e uma forma de habitar o próprio tempo.

As ciências do comportamento insistem num ponto: não é a velocidade pela velocidade. O que conta é a coerência entre o ritmo de marcha e os objectivos internos. Um caminhante rápido tende a estruturar melhor os seus dias, a decidir mais depressa, a eliminar o que não serve o seu propósito.

A caminhada rápida também está ligada ao que se chama “funções executivas” do cérebro. É o que permite planear, inibir distracções, alternar de uma tarefa para outra. Quando este sistema está treinado, o corpo acompanha: a passada torna-se mais firme, a direcção mais clara, os desvios menos frequentes.

Pelo contrário, um andar sempre flutuante pode denunciar um cérebro saturado. Quando se pensa demais, quando se duvida, quando se tem medo de escolher, o corpo abranda. Adia-se. Os passos, tal como as decisões, tornam-se moles, hesitantes, quebrados por micro-paragens. O passeio torna-se uma metáfora de uma mente engarrafada.

Como “melhorar” a sua caminhada sem fingir

A boa notícia é que a sua velocidade a caminhar não está gravada em pedra. Os especialistas falam de um “ritmo escolhido”, uma espécie de cursor que se pode ajustar com a força do hábito. E esse ajuste funciona nos dois sentidos: mudar o corpo transforma também a mente.

Um método simples consiste em definir um “ritmo-alvo”. Num percurso que faz com frequência, decida ir um pouco mais depressa, apenas o suficiente para sentir a respiração a trabalhar, sem correr. Mantenha o olhar ao longe, em direcção ao ponto de chegada, em vez de fixar o chão. A ideia não é apressar a vida inteira, mas fazer de alguns trajectos momentos de presença e decisão.

Muitos coaches de produtividade pedem agora aos seus clientes que observem um dia inteiro de deslocações. Onde é que abrandam sem razão? Com quem é que caminham fora de ritmo? Estes micro-ajustes revelam os pontos em que se cede tempo, energia e clareza.

Muitas pessoas, ao descobrirem este tipo de estudo, entram em pânico: “Eu caminho devagar, então estou condenado?” Não. O que realmente preocupa os investigadores são as pessoas que se sentem constantemente desalinhadas com o seu próprio ritmo. As que sonham avançar mas arrastam os pés, no sentido literal e figurado.

Uma armadilha frequente é exagerar. Começar a andar depressa em todo o lado, o tempo todo, como se a performance se jogasse no passeio. Resultado: cansaço, irritação, postura tensa. O andar passa a parecer uma armadura, não uma dinâmica interior. Sejamos honestos: ninguém consegue realmente fazer isto todos os dias.

Outro erro, mais subtil, é nunca questionar os momentos em que se abranda. É uma necessidade real de recuperação, ou uma fuga perante uma decisão difícil? Existem “caminhantes lentos mas lúcidos”, e têm muito sucesso. A diferença é que escolhem quando abrandam. Não o contrário.

Como resume um especialista em comportamento:

“Caminhar depressa não o torna magicamente inteligente ou bem-sucedido. Mas as pessoas que construíram um andar rápido e com propósito, normalmente também construíram um pensamento rápido e com propósito.”

Para tornar estas ideias concretas, tenha em mente alguns pontos simples:

  • Acelere ligeiramente a sua caminhada num trajecto por dia, não mais.
  • Use esses minutos para clarificar uma única decisão importante.
  • Observe a sua postura: ombros abertos, olhar bem à frente.
  • Anote, à noite, se esta mudança alterou a sua energia ou a sua concentração.
  • Guarde o direito de abrandar… mas faça-o em consciência.

Quando o seu ritmo se torna uma estratégia de vida silenciosa

O que as ciências do comportamento mostram não se resume a um gráfico sobre velocidade de marcha. Por detrás destes números, existe uma questão muito mais íntima: como habita o seu próprio tempo? Atravessa os seus dias como aqueles caminhantes rápidos que seguem em linha recta no meio da multidão, ou como aquelas silhuetas que se deixam levar sem saber muito bem para onde vão?

Os estudos sobre caminhantes rápidos não foram feitos para humilhar quem se arrasta um pouco. Apenas apontam uma ligação: quando se cultiva uma relação mais intencional com o tempo, alguns indicadores melhoram. A saúde, o desempenho cognitivo, o sentimento de auto-eficácia. Ajustar a forma de caminhar torna-se então uma micro-alavanca entre outras, discreta, mas surpreendentemente poderosa.

Da próxima vez que estiver numa estação, num aeroporto, ou simplesmente na rua a voltar do trabalho, olhe para a sua passada como se estivesse a observar outra pessoa. Pergunte-se: “Esta pessoa parece saber para onde vai? O corpo dela conta a mesma história que as suas ambições?” A resposta, por vezes, está num simples passo um pouco mais rápido.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Velocidade de marcha e cérebro Os caminhantes rápidos mostram, em média, melhores funções executivas. Perceber que mudar o ritmo pode apoiar a clareza mental.
Ritmo escolhido vs. ritmo imposto Não é ser rápido o tempo todo, mas ser coerente com os seus objectivos. Reduzir a culpa e usar a caminhada como ferramenta, não como julgamento.
Prática diária simples Acelerar um trajecto, focar numa decisão, observar a postura. Ter um gesto concreto para alinhar corpo, tempo e intenções.

FAQ:

  • Caminhar mais depressa significa mesmo que sou mais inteligente?
    Não automaticamente, mas nos estudos os caminhantes mais rápidos tendem a ter melhor funcionamento executivo e processamento mental.
  • Posso mudar a minha velocidade natural de caminhar?
    Sim, o seu ritmo “por defeito” é plástico; pequenos esforços repetidos podem mudá-lo ao longo do tempo.
  • E se eu gostar de caminhar devagar?
    Tudo bem, desde que seja uma escolha e não uma forma habitual de evitar decisões ou responsabilidades.
  • A velocidade é mais importante do que a postura?
    Ambas contam: um ritmo ligeiramente mais rápido e uma postura aberta e orientada enviam sinais complementares ao seu cérebro.
  • Com que frequência devo praticar caminhar mais depressa?
    Comece com uma caminhada por dia, com ritmo intencionalmente mais rápido, e aumente apenas se parecer natural e sustentável.

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