A maioria das pessoas ignora uma sanita a correr durante semanas e depois apanha um susto quando chega a conta da água. A boa notícia: em muitas casas, um ajuste de cinco minutos à corrente da borracha de vedação (flapper) e ao flutuador pára a fuga - sem canalizador, sem ferramentas especiais e sem drama.
Porque é que a sua sanita não pára de correr
Uma sanita moderna é uma máquina simples. Dentro do depósito, três peças mandam no processo: a borracha de vedação (flapper), a corrente e o flutuador. Quando alguma delas fica ligeiramente fora de posição, a água deixa de ficar onde deve.
Uma sanita a correr normalmente não é um “mistério”. É um pequeno desalinhamento que desperdiça litros (ou galões), silenciosa e constantemente.
Eis o que faz cada peça:
- Borracha de vedação (flapper): a “porta” de borracha no fundo do depósito que sobe quando descarrega e veda quando o depósito volta a encher.
- Corrente: liga o braço da alavanca do manípulo à borracha de vedação, para que o seu toque se transforme numa elevação.
- Flutuador: o dispositivo (bola ou copo) que sobe com o nível da água e indica à válvula de enchimento quando deve parar.
Quando a borracha de vedação não sela totalmente, a água escorre lentamente para a bacia. O nível do depósito desce, o flutuador detecta a descida e a válvula de enchimento volta a ligar. É esse som cíclico que ouve a cada poucos minutos. Muitas vezes, os culpados são apenas uma corrente com o comprimento errado ou um flutuador regulado demasiado alto.
Verificação rápida de segurança antes de começar
Não precisa de fechar a água geral, mas convém saber onde está a válvula de corte caso algo se parta enquanto mexe.
- Procure uma pequena válvula na parede ou no chão atrás da sanita.
- Rode-a no sentido dos ponteiros do relógio para cortar a água, se necessário.
- Retire a tampa do depósito com cuidado e coloque-a num sítio estável; a porcelana lasca com facilidade.
Com a tampa fora, descarregue uma vez e observe como tudo se move. Essa observação de 10 segundos diz-lhe muito sobre o que precisa de ajuste.
Passo 1: Corrigir a corrente da borracha de vedação em menos de dois minutos
Comece pela corrente. Uma corrente mal regulada é uma razão clássica para a sanita correr “sem motivo aparente”.
Como identificar problemas na corrente
Ao descarregar, verifique três coisas:
- A corrente puxa a borracha de vedação totalmente para cima, ou só a meio?
- A corrente fica tão esticada que impede a borracha de vedação de voltar a assentar?
- A corrente escorrega para debaixo da borda da borracha quando esta fecha?
A corrente deve ficar ligeiramente folgada quando a borracha de vedação está fechada, mas não tão solta que enrede ou se meta por baixo da vedação.
Ajustar o comprimento da corrente
A maioria das correntes prende ao braço da alavanca com um clip metálico simples. Pode mover esse clip para outro elo.
- Se a corrente estiver demasiado esticada: a borracha não assenta plana, por isso a água passa à volta. Mova o clip um ou dois elos na direção da borracha para dar folga.
- Se a corrente estiver demasiado solta: carrega no manípulo, mas a borracha quase não levanta. Mova o clip um ou dois elos para longe da borracha para que o manípulo a levante de forma limpa.
Depois de cada ajuste, descarregue novamente e observe. Quer que a borracha abra bem durante a descarga e depois volte a cair/assentar de forma limpa, sem corrente presa por baixo.
Passo 2: Regular o flutuador para o nível de água se comportar
Mesmo com a corrente perfeita, um flutuador mal posicionado pode manter o depósito a encher para sempre. O flutuador decide quando a água pára.
| Tipo de flutuador | Aspeto | Como costuma ser ajustado |
|---|---|---|
| Flutuador de bola | Bola redonda na ponta de uma haste metálica ou plástica | Dobrar ligeiramente a haste ou rodar o parafuso de ajuste na válvula de enchimento |
| Flutuador tipo copo/cilindro | Copo de plástico que desliza para cima e para baixo no tubo de enchimento | Premir a patilha lateral e deslizar o copo para cima ou para baixo na haste |
Encontrar a linha de água correta
A maioria dos depósitos tem uma pequena marca no interior: uma linha, letras ou texto “water level” (nível de água). É a altura de enchimento recomendada pelo fabricante.
Se a água chega ao topo do tubo de transbordo, o flutuador está demasiado alto e está a pagar por água que nem sequer chega à bacia.
Quer que o nível final da água fique ligeiramente abaixo dessa marca e, definitivamente, abaixo do topo do tubo vertical de transbordo no centro.
Baixar ou subir o flutuador
O movimento concreto depende do mecanismo, mas a regra é sempre a mesma: flutuador mais baixo = nível de água mais baixo; flutuador mais alto = nível de água mais alto.
- Para flutuador de bola numa haste: procure um pequeno parafuso onde a haste se liga à válvula de enchimento. Rodá-lo num sentido levanta a bola, no outro baixa-a. Em sistemas mais antigos pode ser necessário dobrar suavemente a haste metálica.
- Para flutuador tipo copo: normalmente verá uma patilha ou clip de plástico. Prima e deslize o copo para baixo para menos água, para cima para mais.
Faça uma pequena alteração, descarregue uma vez e depois observe onde a água estabiliza. Dois ou três testes rápidos costumam chegar à altura certa.
Como saber que a fuga ficou mesmo resolvida
O sinal óbvio é o silêncio. Quando o depósito termina de encher, o assobio/sibilo deve parar. A válvula de enchimento não deve voltar a ligar a cada poucos minutos.
Se quiser mais certeza, muitos canalizadores usam um teste simples com corante, que pode fazer em casa:
- Adicione algumas gotas de corante alimentar ao depósito e espere 10–15 minutos sem descarregar.
- Se aparecer água colorida na bacia, ainda há água a passar pela borracha de vedação.
- Verifique se a borda da borracha está limpa, se a corrente não ficou presa e se a própria borracha não está rachada ou deformada.
Um ajuste de cinco minutos resolve a maioria das sanitas a correr. Se a água colorida continuar a passar para a bacia, a borracha de vedação provavelmente precisa de ser substituída.
As borrachas novas são baratas, normalmente encaixam e desencaixam dos mesmos pinos e, mesmo assim, a maioria dos proprietários consegue trocá-las em menos de dez minutos.
Porque é que esta pequena reparação tem grande impacto na sua conta
Entidades de água nos EUA e no Reino Unido alertam que uma única sanita a correr pode desperdiçar centenas de litros, ou mais de uma centena de galões por dia. Muitas vezes só dá por isso quando a conta duplica.
Parar essa fuga mantém dinheiro na sua conta e reduz a pressão sobre os recursos locais. Em regiões propensas a seca, uma sanita ou depósito a verter é mais do que um incómodo; faz parte de um padrão mais amplo de desperdício quotidiano.
- Reduz as águas residuais enviadas para as ETAR.
- Evita taxas de deslocação de canalizador em urgência.
- Prolonga a vida da válvula de enchimento e de outras peças, que passam a trabalhar menos vezes.
Quando uma sanita a correr indica um problema mais profundo
A maioria dos casos resume-se à borracha, corrente ou flutuador, mas alguns sinais sugerem algo maior:
- Água cor de ferrugem dentro do depósito pode indicar canalizações antigas a libertar sedimentos.
- Fissuras no depósito ou humidade no exterior da porcelana sugerem uma falha estrutural, não apenas um som de água a correr.
- Pressão de água muito baixa a afetar o enchimento pode ter origem na alimentação da casa ou numa válvula de corte antiga.
Estas situações merecem uma avaliação mais cuidada por um profissional, sobretudo em edifícios antigos ou arrendamentos onde o histórico da canalização é pouco claro.
Manutenção simples para evitar assobios noturnos no futuro
Depois de perceber como a borracha, a corrente e o flutuador trabalham em conjunto, a prevenção torna-se simples.
- Levante a tampa do depósito de poucos em poucos meses e faça uma verificação visual rápida.
- Passe o dedo à volta da borda da borracha; grãos e sujidade aqui podem impedir uma vedação perfeita.
- Certifique-se de que pastilhas/blocos de limpeza não estão a corroer peças mais depressa do que deviam.
Cinco minutos de curiosidade agora podem poupá-lo a um dia a esfregar água depois, se uma pequena fuga negligenciada se transformar numa avaria maior.
Para senhorios e gestores de edifícios, incluir uma verificação das sanitas nas inspeções regulares muitas vezes deteta problemas antes mesmo de os inquilinos se queixarem. Em prédios grandes, a poupança conjunta ao fim de um ano pode ser significativa.
Porque é que esta correção é importante numa crise do custo de vida
À medida que os preços da energia e da água sobem, as fugas domésticas pesam ainda mais. Muitos proprietários focam-se no isolamento, em termóstatos inteligentes ou em novos eletrodomésticos, e ignoram o humilde depósito a fazer barulho ao fundo. Esse som pequeno pode acrescentar mais à conta do que um carregador de telemóvel ou uma luz esquecida.
Há também uma mudança psicológica quando resolve uma reparação por si. Uma sanita a correr é um dos raros problemas domésticos em que pode passar da irritação à ação em minutos, com uma recompensa imediata e audível. O sibilo pára. O depósito mantém-se cheio. A casa de banho fica silenciosa.
Esse pequeno sucesso pode mudar a forma como encara outros projetos em casa. Em vez de pegar logo no telefone para pedir ajuda, pode levantar primeiro a tampa, observar como o mecanismo se comporta e fazer um ajuste cuidadoso. Água, corrente, flutuador: quando percebe como interagem, o sistema deixa de parecer misterioso e passa a ser algo que consegue resolver.
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