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Condutores que usam estes óculos arriscam multa elevada e perda de pontos na carta de condução.

Pessoa no carro segurando óculos de sol ao volante numa estrada rural.

O condutor baixou o vidro da janela, ainda meio a sorrir de lado, convencido de que não tinha feito nada de errado. Não ia em excesso de velocidade. Não estava ao telemóvel. Tinha bebido um café, nenhuma cerveja. O que é que podiam querer?

“Sabe porque é que o mandei parar, senhor?”, perguntou o agente, inclinando-se ligeiramente. O condutor encolheu os ombros e apontou para o tablier. Tudo parecia normal. Então o agente tocou no lado do próprio rosto, mesmo junto aos olhos. Demorou um segundo até cair a ficha.

No nariz do condutor: uns óculos estilosos, com lentes refletoras, negras como azeviche. Daqueles que aparecem em anúncios nas redes sociais. Daqueles que parecem demasiado fixes para serem práticos. Daqueles que, numa tarde cinzenta a meio da semana, podem sair-lhe discretamente por centenas de libras e por pontos preciosos na carta.

Porque é que alguns óculos “fixes” podem arruinar discretamente o seu registo de condução

Os condutores raramente pensam nos óculos como um risco legal. São apenas parte do visual, um acessório que se pega ao sair de casa. No entanto, certos tipos de lentes podem transformar uma viagem normal num erro muito caro. E a maioria das pessoas não faz ideia.

Por toda a Europa e no Reino Unido, a polícia tem começado a prestar mais atenção ao que os condutores trazem na cara. Não apenas telemóveis na mão, mas lentes ultracuras, tonalidades “fashion” à noite e óculos que estragam o contraste. Ao volante, essas escolhas deixam de ser um estilo e passam a ser um fator de segurança. E é aí que as multas - e os pontos - entram subitamente na equação.

A regra básica parece simples: tem de conseguir ver a estrada com clareza e reagir depressa. Na prática, a margem é curta. Alguns óculos cortam luz a mais. Outros distorcem cores ou reflexos. A lei não quer saber se vieram de uma grande marca ou de um anúncio no TikTok. Se as suas lentes limitarem a visão de forma a afetar a condução, tem problemas.

Não há muito tempo, um estafeta de 32 anos nas Midlands aprendeu isto da pior maneira. Comprou online uns óculos de sol polarizados “táticos”, anunciados como perfeitos para conduzir em todas as condições. Espelho preto, estilo agressivo, o pacote completo. Numa tarde de verão luminosa, pareciam incríveis. Numa noite chuvosa, eram uma armadilha.

Manteve-os postos quando o céu passou de cinzento a quase escuro. Os candeeiros acenderam-se, os faróis espalhavam-se no asfalto molhado como riscos brancos. Os óculos reduziram o encandeamento - mas também apagaram peões, sinalização e marcas na faixa. Numa passadeira, travou tarde. Não houve colisão, apenas uma travagem brusca e um peão assustado.

A patrulha ali perto tinha visto tudo. Os agentes verificaram os óculos e notaram o quão escura era a tonalidade em pouca luz. Ele saiu com uma multa, pontos na carta por condução sem o devido controlo e por não manter uma visão clara, e um aviso severo. Depois disso, aquelas lentes “táticas” ficaram no porta-luvas, a ganhar pó.

Por trás de histórias como esta há uma lógica simples e implacável. A lei da condução foca-se no que consegue ver, não no que pretendia fazer. Se os óculos reduzirem a transmissão de luz visível para lá de níveis seguros, está, na prática, a conduzir meio cego. Muitos países seguem normas semelhantes às categorias da UE: as lentes de categoria 4, por exemplo, são tão escuras que são proibidas para conduzir.

Os óculos amarelos de “condução noturna” são outra armadilha. Podem fazer o cérebro sentir que o ambiente está mais nítido, mas na realidade cortam luz e podem atrasar a reação a perigos. À noite ou em túneis, tudo o que rouba luz aos seus olhos rouba milissegundos preciosos aos seus reflexos. É exatamente nesse intervalo que os acidentes acontecem.

Depois vêm as lentes espelhadas e as cópias polarizadas baratas. Uma polarização de boa qualidade pode ajudar de dia ao reduzir o encandeamento na estrada, mas versões de baixa qualidade por vezes interferem com a leitura de painéis digitais, GPS ou head-up displays. Se está a semicerrar os olhos para ver a velocidade, não está totalmente concentrado no trânsito. É aí que a polícia - e as seguradoras - começam a prestar atenção.

Como escolher óculos que o mantêm seguro, legal e realmente confortável

A estratégia mais segura é brutalmente simples: escolha óculos em função da luz, não do seu visual. Em pleno sol, opte por óculos de sol certificados para condução, com tonalidade moderada e elevada proteção UV. Procure rotulagem adequada e evite lentes de categoria 4 ou qualquer coisa marcada como “não adequado para condução e uso rodoviário”. Isso é para a praia, não para o volante.

Para quem usa graduação, as lentes fotocromáticas (que escurecem ao sol) podem ser um bom compromisso, sobretudo com tempo instável. Mas lembre-se de que podem reagir lentamente atrás do para-brisas, porque o vidro do carro filtra UV. É por isso que muitos especialistas recomendam ainda um par dedicado de óculos de sol para condução com a sua correção, em vez de depender apenas das fotocromáticas.

À noite e com fraca visibilidade, simplifique. Lentes transparentes com tratamento antirreflexo são as suas melhores aliadas. Não parecem chamativas, mas reduzem reflexos parasitas de faróis e do painel de instrumentos. As suas pupilas já estão bem dilatadas, a tentar captar toda a luz possível. Qualquer tonalidade extra neste momento, mesmo “ligeira”, joga contra si.

Muitos condutores caem nos mesmos erros, e raramente por má-fé. O marketing pesa muito. Anúncios empurram óculos bloqueadores de azul para ecrãs, óculos amarelos para “visão noturna HD”, tonalidades fortes para “condução tática”. Nas redes sociais, ficam ótimos. Numa autoestrada molhada e escura, tiram-lhe discretamente a visibilidade. É nesse fosso entre imagem e realidade que as multas e os sustos se multiplicam.

A nível humano, há também orgulho e hábito. Compra um par caro de óculos de marca e, claro, quer usá-los sempre. Ou conduz à noite com lentes escurecidas há anos e diz para si: “Já estou habituado; os meus olhos adaptam-se.” O problema é que a física não negocia. Menos luz a entrar significa menos informação para o cérebro. Esse atraso só aparece quando algo súbito acontece à sua frente.

Num plano mais emocional, muitas pessoas associam tirar os óculos de sol a parecer cansadas, vulneráveis ou “menos elas próprias”. Essa pequena vaidade faz com que os óculos fiquem postos mais tempo do que deviam. Sejamos honestos: ninguém perde realmente tempo a testar os seus óculos em todas as condições de luz antes de entrar no carro.

“Nunca vi ninguém agradecer às suas lentes escurecidas depois de um acidente”, diz um agente de segurança rodoviária em Londres. “Mas já ouvi muita gente dizer: ‘Eu simplesmente não os vi a tempo.’ É essa frase que o persegue.”

Para evitar entrar nesse grupo, ajuda ter uma pequena lista mental sempre que se senta ao volante com óculos:

  • Consigo ver claramente peões com roupa escura a 50–60 metros?
  • Consigo ler o painel e o GPS sem semicerrar os olhos ou inclinar a cabeça?
  • Os semáforos e as luzes de travão parecem vivos e inconfundíveis?
  • Sinto vontade de me inclinar para a frente, estreitar os olhos ou “espreitar” através das lentes?
  • Sentir-me-ia seguro a conduzir com estas lentes se o meu filho fosse no banco de trás?

Se alguma dessas respostas for não, os seus óculos estão a trabalhar contra si. E quando a lei entra em cena, o argumento é direto: escolheu limitar a sua própria visão. A multa é uma coisa. A culpa de ter falhado algo - ou alguém - é outra história.

Uma pequena mudança no nariz, uma grande mudança na forma como conduz

Quando começa a reparar nisto, não consegue deixar de ver. Repara no condutor ao lado, no semáforo, com lentes pretas como breu ao início da noite. Repara no encarregado de educação na corrida da escola com óculos “desportivos” laranja debaixo de um céu pesado. Vê-se ao espelho retrovisor e, de repente, pergunta-se que cor tem realmente o mundo sem as suas lentes.

Aquele pequeno pedaço de plástico ou vidro no nariz funciona como um filtro para cada decisão que toma na estrada. Molda o quão cedo repara num ciclista encostado à berma, quão depressa percebe que o carro dois veículos à frente travou. Afeta o cansaço, as dores de cabeça, a vontade de conduzir à noite ou à chuva. Pode torná-lo, discretamente, um condutor mais calmo - ou imprudente sem intenção.

Muitos leitores, a este ponto, pegam nos óculos e olham para eles de outra forma. Alguns vão testá-los à noite numa zona segura e familiar e sentem um sobressalto ao perceberem o quão mais escuro tudo fica. Outros finalmente marcam o exame de visão que têm adiado há meses. Em termos coletivos, partilhar estes pequenos “acordares” importa. São detalhes que raramente entram nos grandes debates políticos, mas moldam milhares de viagens todos os dias.

Todos já tivemos aquele momento em que, depois de um susto, ficamos em silêncio no carro por alguns segundos, coração aos pulos, a rever o que acabou de acontecer. Muitas vezes, nada de dramático aparece na dash cam. Apenas um instante em que “não viu bem” uma forma, um movimento, um lampejo de cor. Às vezes, a explicação está na sua cara, não na estrada.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Tonalidade demasiado escura Lentes muito escuras ou de categoria 4 podem reduzir tanto a visibilidade que são proibidas para conduzir Ajuda a evitar multas e a escolher óculos que protegem a sua carta
Óculos errados à noite Lentes escurecidas ou “noturnas HD” roubam luz preciosa e atrasam o tempo de reação Incentiva o uso de lentes transparentes com antirreflexo quando a visibilidade é baixa
Verificações legais e práticas Auto-testes simples e rotulagem adequada podem revelar óculos de risco antes de a polícia o fazer Dá ações rápidas para proteger você, os passageiros e a carteira

FAQ:

  • Posso ser multado apenas por usar óculos de sol muito escuros a conduzir? Sim, se os óculos forem tão escuros que impeçam uma visão clara da estrada, a polícia pode considerar que está a conduzir sem o devido controlo ou sem visão suficiente, o que pode resultar em multa e pontos.
  • Óculos de sol espelhados são legais para conduzir? As lentes espelhadas são permitidas desde que o nível de escurecimento esteja dentro dos limites legais e consiga ver claramente a estrada, a sinalização e os outros utilizadores em todas as condições.
  • Os óculos amarelos de “condução noturna” ajudam mesmo? Podem parecer mais nítidos, mas reduzem a luz total que chega aos seus olhos, o que pode atrasar a resposta a perigos com pouca luz ou à noite.
  • Como posso saber se os meus óculos de sol são demasiado escuros para conduzir? Verifique se têm certificação adequada, evite lentes de categoria 4 e teste se consegue ver claramente peões, marcas na estrada e detalhes do painel na sombra ou com luz fraca.
  • É ilegal conduzir com óculos graduados desatualizados? Pode ser um problema se a sua visão já não cumprir o requisito para conduzir; após um acidente, uma correção desatualizada ou inadequada pode jogar contra si com seguradoras e investigadores.

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