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Especialistas de beleza dizem que o bicarbonato de sódio é um remédio inesperado para rugas e olheiras.

Mãos seguram uma tigela de creme facial com colher dourada, ao lado de toalhas, frasco de vidro e pote com pó branco.

O corretor está lá, o sérum também, o creme de olhos que custou tanto como uma escapadinha de fim de semana. Ainda assim, as rídulas estão mais “altas” do que no ano passado, e as olheiras recusam-se a picar o ponto. Na beira do lavatório, uma pequena caixa de cartão, normalmente reservada para limpar o frigorífico, foi-se infiltrando lentamente na rotina de beleza. Bicarbonato de sódio. O mesmo pó que a tua avó usava para bolos e nódoas. Especialistas de beleza olham agora para ele com uma mistura de curiosidade e cautela. Alguns até lhe chamam o “tratamento de olhos de 2 euros” escondido na tua cozinha. A pergunta é simples e ligeiramente inquietante.

E se a resposta para as rugas e as olheiras tivesse estado sempre ali, ao lado da esponja da loiça?

Bicarbonato de sódio: da prateleira da cozinha ao contorno dos olhos

Começou, como muitas revoluções da beleza, num lavatório de casa de banho mal iluminado. Uma facialista em Londres reparou que cada vez mais clientes apareciam com capturas de ecrã do TikTok e de fóruns de beleza, a perguntar a mesma coisa: “Posso mesmo pôr bicarbonato de sódio debaixo dos olhos?” Ao início, ela descartou a ideia com uma gargalhada. Depois, dermatologistas começaram a comentar o seu pH, o seu poder esfoliante, o seu efeito iluminador à superfície da pele. De repente, este pó branco barato já não parecia assim tão inocente.

Por trás dos vídeos virais, havia uma história muito humana: as pessoas estão cansadas de pagar 60 euros por um creme de olhos que mal faz diferença. A tendência do bicarbonato de sódio soa a pequena rebelião. Uma forma de dizer: talvez a minha pele não precise de embalagens douradas; talvez precise apenas de algo que funcione mesmo.

Nas redes sociais, um vídeo destaca-se. Uma enfermeira de 43 anos, de Madrid, filma-se antes do trabalho, cara lavada, olheiras marcadas, um ligeiro inchaço. Mistura uma pitada de bicarbonato com água mineral, aplica com toques suaves debaixo de um olho, espera três minutos, passa por água e filma o “depois”. O efeito não é um milagre do Photoshop. O lado tratado parece ligeiramente mais liso, um pouco menos acinzentado, mais desperto. O vídeo chega a 3 milhões de visualizações em quatro dias. Nos comentários, milhares de mulheres comparam frigoríficos e armários da casa de banho, confessando que tentaram “só uma vez, para ver”.

Os dermatologistas dividem-se. Alguns avisam alto e bom som sobre irritação e danos a longo prazo. Outros admitem que, usado raramente e com inteligência, este ingrediente doméstico pode uniformizar temporariamente a textura e iluminar a superfície. Uma especialista de pele em Nova Iorque disse-me que metade das novas pacientes dela ouviu falar do bicarbonato no Instagram. É o paradoxo estranho do skincare moderno: a experiência profissional chega tarde, a correr atrás de experiências caseiras que já se tornaram virais em casas de banho pelo mundo fora.

Ao microscópio, o bicarbonato é menos mágico e mais mecânico. É bicarbonato de sódio, um composto básico que perturba ligeiramente o manto ácido da pele. Essa alteração, combinada com os seus grãos extremamente finos, dá-lhe um poder esfoliante suave. Em zonas mais espessas do rosto, pode ajudar a levantar células mortas, alisar pequenas irregularidades e fazer a pele refletir melhor a luz. Debaixo dos olhos, onde a pele é mais fina do que papel, a linha entre “iluminação suave” e “olá, irritação” é perigosamente estreita.

As olheiras muitas vezes parecem piores por causa da aspereza da superfície e da acumulação de células mortas que “apagam” o tom. Uma esfoliação leve e ocasional pode fazê-las parecer menos fundas e menos “sujas”. As rugas, sobretudo as linhas finas de desidratação, também podem parecer mais suaves quando a superfície está uniforme e a luz bate de outra forma. Essa é a promessa sussurrada pelo bicarbonato: uma mudança de textura, não um milagre biológico.

Como os especialistas de beleza usam realmente o bicarbonato de sódio

Quando se fala com facialistas que, em segredo, usam bicarbonato, o método delas está a anos-luz dos esfoliantes DIY agressivos das redes sociais. Começam com uma pitada minúscula, literalmente o que fica na ponta de um cotonete húmido. Misturam com bastante água ou com um gel hidratante muito suave, até parecer mais água turva do que uma pasta. O objetivo não é esfregar, mas deixar a solução alcalina tocar a pele por breves instantes e ir embora.

O protocolo habitual: rosto limpo, sem maquilhagem, sem ácidos ativos. Humedecer a zona debaixo dos olhos com água morna. Embebedar um disco de algodão na solução diluída, pressionar suavemente (nunca esfregar) na zona mais escura, mantendo uma distância segura da linha das pestanas. Esperar no máximo 30 a 60 segundos, depois enxaguar bem com água fresca, secar com toques e aplicar um creme de olhos calmante, sem perfume. Usado assim, uma vez a cada duas a quatro semanas, alguns especialistas dizem ver um verdadeiro “boost de luminosidade” nas clientes.

A maior armadilha é pensar “se um bocadinho ajuda, mais há de ser melhor”. É daí que vêm as histórias de vermelhidão e pele irritada debaixo dos olhos. Num domingo à noite em que já não há energia para nada, é tentador misturar uma pasta mais espessa, esfregar com mais força ou deixar atuar mais tempo “só desta vez”. Sejamos honestos: ninguém faz isto realmente todos os dias, apesar do que mostram alguns tutoriais. A pele debaixo dos olhos lembra-se de cada exagero - e costuma responder com secura, repuxamento ou micro-descamação, que faz a maquilhagem assentar mal durante dias.

Outro erro comum é combinar bicarbonato com outros ativos fortes: retinol, vitamina C, AHAs. O “cocktail” pode parecer profissional numa prateleira, mas a pele interpreta-o como um ataque. Uma abordagem mais realista é tratar o bicarbonato como um convidado raro, não como um colega de casa diário. Usa-se ocasionalmente, num dia em que a pele está calma, e depois volta-se à rotina normal de hidratação e proteção solar. As mulheres que têm melhores resultados tendem a ser as que fazem menos - não as que declaram guerra química às olheiras.

Uma facialista em Paris disse-me algo que ficou comigo:

“O bicarbonato não é um milagre para as rugas. É uma pequena lanterna. Mostra o que já lá está, com uma luz um pouco mais simpática. O problema é quando as pessoas tentam transformar essa lanterna num laser.”

Para quem ainda quiser experimentar, muitos especialistas sugerem algumas linhas orientadoras:

  • Fazer um teste de sensibilidade no lado do pescoço antes de aproximar dos olhos.
  • Nunca usar em pele gretada, irritada ou já sensibilizada.
  • Preferir um líquido muito diluído a uma pasta granulosa.
  • Limitar o uso a uma vez por mês no contorno dos olhos, no máximo.
  • Se sentir ardor, enxaguar imediatamente e parar.

O lado emocional de uma “cura anti-rugas” de 2 euros

Há algo quase terno nesta imagem: adultos nos trinta, quarenta, cinquenta, a remexer no armário da cozinha a altas horas da noite, à procura de uma solução barata para o rosto que mostram ao mundo. Num mau dia, o espelho parece, de repente, um veredicto sobre os últimos dez anos. Menos sono, mais stress, ecrãs, açúcar, luto. As linhas e sombras à volta dos olhos tornam-se o resumo mais visível de tudo isso. Num bom dia, as mesmas linhas parecem textura, parecem história. A diferença raramente está só na pele.

É aí que o bicarbonato se infiltra, discretamente. Oferece algo diferente de um creme de luxo: uma sensação de controlo. Misturas tu, decides a dose, sentes-te quase o químico da tua própria vida. Se o efeito for subtil, ainda assim ficas com o gesto, com o pequeno ritual. A nível psicológico, isso conta. Não é apenas “clarear olheiras”; é sentir que fizeste alguma coisa - mesmo pequena - por aquela pessoa no espelho. Aquela pessoa que às vezes parece mais cansada do que tu te sentes por dentro.

E sabemos isto: todos nós já passámos por aquele momento em que a câmara frontal abre por acidente e não nos reconhecemos totalmente. O choque pode empurrar-nos para um buraco sem fundo de soluções rápidas. Nesse estado frágil, qualquer promessa viral parece salvação. É aí que a cautela se torna uma forma de gentileza contigo. O bicarbonato pode iluminar, sim, quando usado com suavidade e raramente. Não vai apagar dez anos de noites curtas nem o peso de uma fase difícil. É uma ferramenta, não uma máquina do tempo - e funciona melhor quando vem acompanhada de hábitos mais aborrecidos: sono, hidratação, SPF, e menos fricção nos olhos à 1 da manhã enquanto estás no telemóvel.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Bicarbonato de sódio como iluminador Esfoliação ligeira pode alisar a textura e refletir mais luz Ajuda a compreender porque as olheiras podem parecer menos intensas
Uso seguro, apenas ocasional Muito diluído, contacto curto, uma vez por mês no contorno dos olhos Reduz o risco de irritação ou danos a longo prazo
Impacto emocional Ritual de baixo custo que cria sensação de controlo Reenquadra o skincare como autocuidado, não apenas correção

FAQ:

  • O bicarbonato de sódio reduz mesmo as rugas? Pode fazer com que as linhas finas pareçam mais suaves ao alisar a superfície, mas não reconstrói colagénio nem reverte rugas profundas.
  • É seguro usar bicarbonato de sódio debaixo dos olhos? Usado raramente, muito diluído e enxaguado rapidamente sobre pele saudável, muitos especialistas dizem que pode ser tolerado - mas a zona dos olhos continua a ser de alto risco para irritação.
  • Com que frequência posso experimentar um tratamento de olhos com bicarbonato? A maioria dos especialistas mais cautelosos sugere no máximo uma vez por mês na zona debaixo dos olhos, e evitar totalmente se a pele for sensível.
  • Posso misturar bicarbonato com o meu retinol ou vitamina C? Misturar com ativos fortes aumenta a probabilidade de vermelhidão e ardor, sobretudo em pele fina; é mais sensato mantê-los separados.
  • Quais são alternativas mais seguras para as olheiras? Cremes de olhos hidratantes, fórmulas com cafeína, compressas frias, corretores de cor e mudanças de estilo de vida costumam trazer resultados mais suaves e sustentáveis.

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