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Especialistas dizem: Eclipse do século terá seis minutos de escuridão. Saiba quando acontecerá e os melhores locais para assistir, já mapeados.

Quatro pessoas usam óculos de proteção para observar um eclipse solar ao pôr do sol, segurando um mapa e um telemóvel.

Conversa interromperam-se, o trânsito abrandou, e as pessoas saíram das lojas com aqueles óculos de papel frágeis pressionados contra o rosto. Durante alguns minutos, o mundo pareceu estranhamente silencioso, como se alguém tivesse baixado o volume da vida quotidiana. Um cão começou a ladrar ao Sol enfraquecido. Um adolescente perto de mim sussurrou: “Isto parece errado… e, ao mesmo tempo, incrível.”

Agora, os astrónomos dizem que o próximo grande eclipse não será apenas incrível. Estão a chamá-lo o eclipse do século. Seis minutos completos em que a luz do dia se apaga, a temperatura desce e as sombras se deformam à tua volta. Um daqueles eventos celestes capazes de deixar um estádio cheio em silêncio num instante. E, desta vez, os especialistas já sabem exatamente quando e onde o espetáculo será mais intenso.

Eclipse do século: o que é que vai mesmo acontecer?

No dia 16 de agosto de 2045, a Lua vai deslizar perfeitamente à frente do Sol e escondê-lo durante uns impressionantes seis minutos de totalidade ao longo de partes do seu trajeto. Este número deixa os astrónomos entusiasmados. A maioria dos eclipses solares totais dá-te um, talvez dois minutos de escuridão total. Seis minutos é como um passe VIP para o universo. Fala-se de “noite ao meio-dia” como metáfora; aqui torna-se real, com os pássaros a calarem-se e o horizonte a brilhar como um pôr do sol a 360°.

A faixa de totalidade deste eclipse atravessa os Estados Unidos, do norte da Califórnia e Nevada, cortando o Utah e o Colorado, atravessando as Grandes Planícies e chegando à Florida, antes de cruzar as Caraíbas e partes da América do Sul. Os especialistas já estão atentos a alguns “pontos ideais”, onde a combinação entre longa totalidade e boas perspetivas meteorológicas cria uma espécie de mina de ouro astronómica. Nessa faixa de terreno, a meio da manhã ou à tarde vai parecer fim de crepúsculo. No resto do continente? Uma mordida parcial profunda e inquietante no Sol.

Em 2017, quando um eclipse mais curto varreu a América, pequenas localidades explodiram subitamente com visitantes. Autoestradas congestionadas, supermercados sem água engarrafada e agricultores a alugarem campos como parques de campismo de última hora. Houve quem conduzisse a noite inteira só para ganhar mais alguns segundos de escuridão. Para 2045, os especialistas esperam discretamente uma repetição - mas em maior escala. Locais como Reno (Nevada), Salt Lake City (Utah), Colorado Springs (Colorado), Orlando (Florida) e partes das Caraíbas já constam das listas curtas dos caçadores de eclipses.

As estatísticas meteorológicas contam muito. O centro do Nevada e o Utah costumam ter céus limpos em agosto, o que lhes dá uma elevada probabilidade de observação sem nuvens. A Florida oferece a maior duração de totalidade sobre um grande centro populacional, mas as trovoadas à tarde são comuns - é um risco, com um potencial enorme de recompensa. A América do Sul - incluindo partes da Colômbia, Venezuela e Brasil - vai receber o eclipse mais tarde no dia, com o Sol mais baixo, o que faz o céu parecer ainda mais escuro. A variedade de paisagens ao longo do trajeto é impressionante: desertos, montanhas, praias e planícies tropicais, todas à espera da sombra.

O que acontece nesses seis minutos sente-se de forma estranhamente física. Enquanto a sombra da Lua corre sobre a Terra a mais de 2.000 km/h, a temperatura pode descer 5–10°C. O vento muda. As sombras ficam mais nítidas e depois distorcem-se, criando “bandas de sombra” ondulantes em paredes claras ou passeios, como reflexos de água. Estrelas e planetas surgem em pleno dia; Vénus costuma ser o primeiro a aparecer. Para muitos, o mais chocante é a coroa solar: um halo branco e inquietante, com filamentos delicados em redor do disco escuro. Do ponto de vista científico, esta coroa é plasma a milhões de graus. Visualmente, parece algo pintado no céu.

Melhores locais para ver (mapeados) - e como vivê-lo a sério

Se queres os famosos seis minutos, tens de estar na “linha central” do eclipse, onde a totalidade dura mais tempo. Os astrónomos já mapearam o trajeto ao quilómetro. Nos EUA, as zonas de destaque incluem o norte da Califórnia e o Nevada, o centro do Utah, o oeste do Colorado, partes do Oklahoma e do Arkansas, e depois uma larga faixa da Florida perto de Orlando e de Cabo Canaveral. Estes locais verão mais de cinco minutos de totalidade, com alguns pontos de sorte a ultrapassarem a marca dos seis minutos.

Imagina montar-te numa crista elevada no Utah, com os desfiladeiros de rocha vermelha a mergulharem na sombra enquanto o Sol desaparece; ou estar numa praia na Florida enquanto as multidões do meio-dia se calam e as estrelas surgem sobre o Atlântico. Mais à frente no percurso, ilhas das Caraíbas dentro da faixa podem tornar-se destinos de eclipse “uma vez na vida”, misturando o ar quente do mar com um crepúsculo quase sobrenatural. Cidades e regiões rurais da América do Sul perto da linha também se transformarão em observatórios naturais, onde locais e viajantes partilham o mesmo céu num raro momento de alinhamento.

Planear é metade da experiência. Vale a pena pensar por camadas: onde vais estar, como vais chegar e o que vais fazer nesses minutos. Os especialistas aconselham escolher uma região com meteorologia razoavelmente favorável em agosto e, depois, definir dois ou três locais de reserva a uma distância que dê para percorrer de carro num dia. Viaja no dia anterior, não na manhã do eclipse, porque as estradas tendem a ficar bloqueadas quando as pessoas correm atrás de céu limpo à última hora. E aqui vai a parte honesta: sejamos francos - ninguém faz isto todos os dias. A maioria está a gerir trabalho, filhos e orçamento. Por isso, o truque é escolher um plano realista e uma alternativa simples, não um itinerário perfeito de fantasia que colapsa no primeiro engarrafamento.

Como observar em segurança, sentir tudo… e evitar erros clássicos

O hábito mais importante: trata as fases parciais como se estivesses a soldar ou num laboratório e protege os olhos em todos os segundos em que o Sol não está totalmente coberto. Isso significa óculos de eclipse certificados pela ISO ou um filtro solar adequado em binóculos ou telescópios. Óculos de sol comuns, vidro fumado, filtros de câmara ou “só uma olhadela rápida” não são seguros. Apenas durante a totalidade - aqueles minutos raros em que o Sol está completamente oculto e a coroa é visível - podes olhar a olho nu. No momento em que reaparece uma nesga de Sol, os óculos voltam a ser colocados. Pensa nisto como um interruptor: escuridão total, seguro; qualquer bordo brilhante, proteção.

A armadilha emocional em que muitos caem é viver o eclipse através de um ecrã. É tentador passar seis minutos a mexer nas definições da câmara. Num dia destes, isso é como tentar fotografar o próprio batimento cardíaco. Mais pragmaticamente, a maioria dos telemóveis tem dificuldade com o contraste extremo da coroa. Por isso, tira algumas fotos rápidas antes e depois da totalidade e, depois, guarda o telemóvel no bolso para o momento principal. Num cobertor ou numa cadeira de campismo, com uma camada extra para o frio súbito, vais sentir a mudança no ar de uma forma que nenhuma foto consegue captar. E, num nível mais profundo, este é um dos poucos momentos em que o tempo parece realmente esticar-se para uma multidão de desconhecidos a olhar para a mesma coisa.

Um astrónomo resumiu assim:

“Vens pela ciência, mas ficas pelos arrepios. Um eclipse total tem menos a ver com olhar para cima e mais com sentir o teu lugar num planeta em movimento.”

Do ponto de vista prático, algumas pequenas preparações mudam tudo:

  • Chega cedo: estacionamento e bons pontos de observação desaparecem depressa perto da linha central.
  • Testa os óculos na semana anterior: devem bloquear tudo exceto o Sol.
  • Leva roupa em camadas: a temperatura pode descer rapidamente sob a sombra da Lua.
  • Mantém uma lista simples: óculos, água, snacks, cadeira, chapéu, mapa em papel.
  • Escolhe um “papel”: filmar, cronometrar ou apenas observar - não os três ao mesmo tempo.

A nível humano, partilhar o eclipse importa tanto como a astronomia. Num campo, num terraço ou numa praia, desconhecidos começam a emprestar óculos e a fazer a contagem decrescente dos segundos. Em família, as crianças tendem a lembrar-se da luz estranha, da descida da temperatura e de como os adultos de repente parecem pequenos a olhar para o céu. Todos já tivemos momentos em que o mundo parece demasiado barulhento e frenético; um eclipse total corta esse ruído por instantes e substitui-o pelo silêncio seco do cosmos a funcionar.

Porque é que já se fala tanto disto - e do que te vais lembrar mais

Os especialistas às vezes chamam a 2045 “o grande” não só pela duração, mas também pelo timing. Muitas pessoas que viram os eclipses de 2017 e 2024 na América do Norte ainda estarão vivas - e talvez tragam filhos ou netos - para este terceiro ato, mais longo. Essa continuidade cria histórias passadas como tradição de família: “Eu vi o efeito do anel de diamante no Oregon; tu vais ver seis minutos de escuridão na Florida.” A ciência é precisa, a matemática é inabalável, mas estar debaixo daquela sombra está longe de ser rotineiro. É um lembrete de que o Sol, que esquecemos na maioria dos dias, pode de repente tornar-se o protagonista.

O que fica contigo não são os números. É o silêncio quando a última pérola brilhante de luz desaparece. A forma como as nuvens no horizonte brilham a laranja em todas as direções. Os candeeiros de rua a acenderem, confusos. Os aplausos, as lágrimas, o riso incrédulo. Algumas pessoas descrevem uma espécie de vertigem suave, como se o dia tivesse sido desligado da tomada. Outras sentem uma calma estranha. Há quem já esteja a planear road trips, a alugar cabanas ou a verificar rotas de voo sobre as Caraíbas só para ficar dentro da faixa escura. Este é o tipo de evento pelo qual as pessoas atravessam continentes - e depois passam anos a tentar pôr em palavras.

O eclipse do século vai acontecer quer estejamos prontos ou não. Onde estiveres, com quem estiveres e quão presente estiveres vão moldar tudo. Talvez estejas numa multidão enorme, rodeado de telescópios e crianças entusiasmadas. Talvez estejas sozinho num campo, a ouvir o vento mudar enquanto o Sol desaparece. Seja como for, seis minutos podem dobrar a tua perceção do tempo de uma forma que perdura. Alguns sairão dali a planear o próximo eclipse. Outros voltarão às rotinas com uma memória silenciosa e privada. E algures, muito depois de a sombra ter passado, alguns de nós ainda estarão a pensar naquela breve e impossível escuridão em pleno dia.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Data e duração Eclipse total a 16 de agosto de 2045, com até ~6 minutos de totalidade Permite marcar uma data rara e antecipar uma viagem memorável
Melhores zonas Linha central a cruzar Nevada, Utah, Colorado, Florida, Caraíbas e partes da América do Sul Ajuda a escolher um local com totalidade longa e paisagens espetaculares
Experiência e segurança Óculos de eclipse certificados ISO nas fases parciais; olho nu apenas durante a totalidade Proporciona uma experiência intensa sem risco para a visão, incluindo para crianças

FAQ

  • Quanto tempo vai durar o eclipse de 2045 no máximo? No centro exato do trajeto, a totalidade durará cerca de seis minutos, o que é invulgarmente longo. A maioria dos locais perto da linha central terá ainda mais de cinco minutos de escuridão total.
  • Que cidades dos EUA estão melhor posicionadas para ver a totalidade? As principais áreas incluem regiões perto de Reno (Nevada), o centro do Utah, o oeste do Colorado, partes do Oklahoma e do Arkansas e, sobretudo, o centro da Florida na zona de Orlando.
  • Preciso mesmo de óculos especiais para eclipses? Sim. Olhar para o Sol sem filtros solares aprovados durante as fases parciais pode queimar a retina sem dor. Só durante a totalidade - quando o Sol está completamente coberto - é seguro olhar a olho nu.
  • E se estiver nublado no dia do eclipse? As nuvens podem bloquear a visão direta do Sol, mas vais notar na mesma a diminuição estranha da luz e a descida de temperatura. Algumas pessoas planeiam uma estratégia móvel, saindo cedo de carro para um ponto mais limpo dentro do trajeto.
  • Vale a pena viajar longe por apenas alguns minutos? Muitos que já viram um eclipse total dizem que é um dos fenómenos naturais mais marcantes das suas vidas. Esses seis minutos ficam muito mais longos na memória, e a viagem passa a fazer parte da história.

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