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Higiene após os 65: nem diariamente, nem semanalmente - descubra a frequência ideal de banhos para o seu bem-estar.

Mulher idosa aplica creme nas mãos em casa de banho, vestida com toalha e turbante, junto a banheira e mesa com produtos.

Uma mulher, já perto dos setenta, enrola uma toalha aos ombros e ri-se com uma amiga por causa de “mais um artigo” a dizer-lhe com que frequência deve tomar banho. Uma diz que toma banho todos os dias porque foi sempre assim que fez. A outra admite, em voz baixa, que agora salta dias porque a pele lhe parece pergaminho.

Já ninguém tem a certeza do que é “normal”. Os médicos dizem uma coisa, os influenciadores outra, e o corpo depois dos 65 joga pelas suas próprias regras. Transpira-se menos, a pele é mais fina, mas aumentam riscos como infeções, quedas e secura crónica. A rotina antiga já não assenta bem.

Com que frequência é que, afinal, precisa mesmo de se pôr debaixo de água depois dos 65? A resposta honesta surpreende muita gente.

Com que frequência deve mesmo tomar banho depois dos 65?

A versão curta: a maioria das pessoas saudáveis com mais de 65 anos não precisa de um banho completo todos os dias. Muitos dermatologistas geriátricos recomendam, discretamente, dois a três banhos completos por semana, com lavagens leves “por cima e por baixo” nos outros dias. Lavar o corpo inteiro diariamente com água quente e sabonete agressivo pode retirar à pele de uma pessoa mais velha os óleos de que ela desesperadamente precisa para se manter flexível.

As glândulas sudoríparas tornam-se menos ativas com a idade. A barreira cutânea fica mais fraca. O resultado é um corpo que ganha cheiro mais devagar, mas se danifica mais depressa. Isso não significa “sem higiene”. Significa higiene mais inteligente, ajustada a um corpo que mudou as regras do jogo.

Numa manhã de quarta-feira, numa clínica suburbana, o Dr. Patel, geriatra, pergunta a um homem de 72 anos com que frequência toma banho. “Uma vez por dia. Duas se for ao ginásio”, responde ele, quase com orgulho. As pernas, do joelho para baixo, estão vermelhas, a descamar e com comichão. Ele tem-nas esfregado com um gel antibacteriano “para se sentir mesmo limpo”.

O Dr. Patel sugere, com delicadeza, reduzir para três banhos completos por semana, mudar para água morna e um produto de limpeza sem perfume. A cara, as axilas, a virilha e os pés continuam a ter atenção diária no lavatório. Três semanas depois, a vermelhidão diminuiu. O equilíbrio do homem também melhorou, agora que já não se apressa para um duche escorregadio duas vezes ao dia.

Essa história é mais comum do que imagina. Em termos populacionais, estudos em adultos mais velhos associam duches quentes e demasiado frequentes a pele seca, agravamentos de eczema e maior uso de cremes com corticoide. Ao mesmo tempo, a higiene insuficiente nesta faixa etária está ligada a infeções urinárias, infeções fúngicas entre os dedos dos pés e em pregas cutâneas, e ao afastamento social por se sentir “pouco limpo”. O ponto ideal não é uma vez por dia, e definitivamente não é uma vez por semana. Para muitos, dois ou três banhos bem feitos, combinados com lavagens diárias dirigidas, mantêm a pele - e a dignidade - intactas.

Porque é que esta combinação funciona tão bem? Do ponto de vista biológico, a pele envelhecida demora mais tempo a reconstruir os lípidos protetores após cada lavagem longa e quente. Retirá-los diariamente significa que a pele nunca recupera totalmente. A higiene, depois dos 65, tem menos a ver com esfregar e mais com manutenção: reduzir bactérias onde se multiplicam depressa, reter a humidade e diminuir o risco de escorregar numa cabine revestida a azulejo.

A sua “frequência certa” também depende de medicamentos, mobilidade, clima e conforto pessoal. Quem toma diuréticos ou vive num apartamento húmido pode precisar de lavagens mais frequentes em certas zonas. Quem tem artrite ou historial de quedas pode preferir menos duches e mais banhos de esponja ao lavatório. A jogada inteligente é separar “sentir-se fresco” de “banho completo”. Quando o faz, a rotina torna-se flexível em vez de exaustiva.

A rotina de banho que protege, em vez de castigar, o seu corpo

Pense em camadas, não em tudo ou nada. Para muitas pessoas depois dos 65, um ritmo sustentável é assim: dois ou três banhos completos por semana e pequenas lavagens diárias ao lavatório. Nos dias de duche, mantenha a água quente, mas não a escaldar. Limite o tempo a cerca de 10 minutos, concentrando-se, com um produto suave, nas axilas, debaixo das mamas, virilha, nádegas e pés.

Use apenas uma pequena quantidade de produto de limpeza suave e sem perfume no resto do corpo - ou só água, se a pele estiver muito seca. Seque com toques, sem esfregar, com uma toalha macia. Nos três minutos seguintes, aplique um hidratante simples nos braços, pernas e tronco. No papel parece muita coisa, mas na prática é um ritual calmo e previsível que mantém a barreira cutânea a fazer o seu trabalho silencioso.

Nos dias sem duche, a rotina “por cima e por baixo” tira pressão. Uma bacia com água morna, uma toalha/luva macia e um pouco de produto suave resolvem cara, pescoço, axilas, pregas cutâneas, virilha e pés. Muitos cuidadores juram que fazer isto à mesma hora da escovagem dos dentes ajuda a integrar no ritmo da manhã, em vez de parecer uma tarefa grande e esgotante.

Todos já tivemos aquele momento em que só de pensar em entrar numa casa de banho fria apetece ficar na cama. É aí que pequenos ajustes contam: aquecedor na casa de banho, tapete antiderrapante, banco de duche, chuveiro de mão. Estes detalhes reduzem o medo de escorregar ou de ter frio, que muitas vezes é a verdadeira razão de evitar a lavagem - mais do que preguiça ou “não querer saber”.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. A maioria das pessoas adapta-se em silêncio: salta duches quando está cansada, espaça mais quando está frio. O risco aparece quando saltar passa a ser o padrão, ou quando “limpo” é confundido com “esfolado até ficar em carne viva”. Lavar em excesso nota-se na pele. Lavar de menos nota-se no cheiro, nas infeções e no conforto que sente ao sentar-se perto de outras pessoas no autocarro.

Há ainda uma camada de dignidade de que não se fala o suficiente. Se está a cuidar de um pai ou de uma mãe, insistir em duches diários quando a pessoa tem medo de cair pode sair rapidamente pela culatra. Começar com dois duches por semana, mais uma limpeza diária suave que a pessoa consiga fazer parcialmente sozinha, costuma ser mais respeitador. Uma lavagem confortável, quente e sem pressas pode saber muito mais a “limpo” do que uma rotina diária apressada e stressante.

“Depois dos 65, a higiene tem menos a ver com atingir um número de duches por semana e mais com proteger a pele, a confiança e a independência”, explica uma enfermeira comunitária em Manchester. “Quando as pessoas se sentem seguras e no controlo na casa de banho, normalmente encontram o seu próprio ritmo.”

É aqui que pequenas mudanças concretas têm grande impacto:

  • Mude para água morna e duches mais curtos para proteger os óleos da pele.
  • Dê prioridade às axilas, virilha, nádegas, pregas cutâneas e pés todos os dias, de alguma forma.
  • Use um hidratante logo a seguir à lavagem, sobretudo nas pernas e braços.
  • Adicione barras de apoio, tapetes antiderrapantes e um banco de duche para reduzir o risco de quedas.
  • Nos dias com pouca energia, escolha uma lavagem completa “por cima e por baixo” em vez de saltar.

Repensar o que é “estar limpo” depois dos 65

Há uma mudança mental silenciosa que muitas vezes acontece por esta altura. Começa a renegociar rotinas que seguiu quase automaticamente durante décadas. O banho deixa de ser tanto “tirar o dia de trabalho” e passa a ser acordar as articulações, observar a pele, encontrar o equilíbrio para o dia. A higiene transforma-se numa espécie de rastreio diário de saúde, em vez de um ritual de estética.

Algumas pessoas descrevem uma culpa estranha quando passam de duches diários para dois ou três por semana. Como se estivessem “a deixar-se ir”. No entanto, quando falam de menos comichões, menos “quase quedas” na casa de banho, menos cansaço depois de se lavarem, há alívio na voz. O corpo está, silenciosamente, a votar por outro horário - e a mente só está a acompanhar.

Não há fórmula universal que sirva para todos os maiores de 65. O que emerge, de clínicas, lares e casas de banho comuns, é um padrão: lavagens dirigidas todos os dias, banhos completos duas a três vezes por semana, e atenção constante à segurança e ao conforto da pele. Em algumas semanas, ondas de calor ou doença vão alterar esse equilíbrio. Em alguns dias, um duche longo e quente vai parecer remédio. Noutros, uma toalha morna e roupa lavada serão suficientes.

Essas pequenas negociações pessoais com água e sabonete dizem algo íntimo sobre como envelhecemos. Sobre onde ainda vive o controlo, sobre as histórias que contamos a nós próprios quando nos pomos em frente ao espelho. A higiene depois dos 65 não é apenas estar “fresco para os outros”. É sentir-se em casa num corpo que está a mudar, sem o castigar.

Pergunte a três amigos da sua idade com que frequência tomam banho agora. Ouça com atenção. Por trás dos números, vai ouvir medo de quedas, orgulho na independência, hábitos de infância, conforto na água quente e uma pele que fala mais alto do que qualquer orientação. É aí que a resposta verdadeira se esconde.

Ponto-chave Detalhes Porque importa para os leitores
2–3 banhos completos por semana muitas vezes são suficientes Para muitos adultos com mais de 65, dois ou três duches mornos por semana, mais lavagens diárias “por cima e por baixo”, mantêm a pele saudável e o odor controlado sem secar em excesso. Dá um objetivo realista que equilibra limpeza com a realidade de uma pele mais fina e frágil e com dias de pouca energia.
Foco diário nas “zonas críticas” Lave axilas, virilha, nádegas, debaixo das mamas, pregas cutâneas e pés todos os dias ao lavatório se não estiver a tomar banho, usando uma toalha/luva e um produto suave. Atua onde bactérias e fungos crescem mais depressa, reduzindo irritações, odor e infeções urinárias sem precisar de um banho completo.
Proteger a pele após cada lavagem Seque a pele com toques e aplique um hidratante sem perfume em três minutos nas pernas, braços e tronco, sobretudo após duche ou banho. Ajuda a evitar comichão, fissuras e descamação que podem levar a infeções e noites mal dormidas, e torna a lavagem agradável em vez de punitiva.

FAQ

  • É pouco higiénico tomar banho apenas duas vezes por semana depois dos 65? Se tomar banho duas ou três vezes por semana, lavar diariamente as “zonas críticas” ao lavatório e trocar roupa interior e meias todos os dias, é pouco provável que seja pouco higiénico. O cheiro, o conforto da pele e quaisquer sinais de infeção são guias melhores do que uma regra rígida diária.
  • E se o meu pai/minha mãe se recusar a tomar banho? Comece com passos mais pequenos: ofereça uma lavagem “por cima e por baixo” quente e com privacidade, use um banco de duche e aqueça a casa de banho antes. O medo de cair ou de se sentir exposto é muitas vezes o verdadeiro problema; por isso, instalar barras de apoio e deixar a pessoa manter algum controlo costuma ajudar mais do que insistir.
  • As pessoas mais velhas podem usar o mesmo sabonete do resto da família? Podem, mas muitos sabonetes familiares têm muito perfume e secam bastante. Depois dos 65, um produto de limpeza suave e sem perfume (ou uma barra syndet) é mais amigo da pele e muitas vezes reduz comichão e vermelhidão.
  • Um banho de imersão é melhor do que um duche para idosos? Um banho curto e quente pode aliviar as articulações, mas entrar e sair da banheira tem maior risco de queda. Duches com banco, barras de apoio e chuveiro de mão costumam ser mais seguros, sobretudo se o equilíbrio ou a força estiverem reduzidos.
  • Com que frequência se deve lavar o cabelo depois dos 65? Muitos adultos mais velhos dão-se bem a lavar o cabelo uma a duas vezes por semana, dependendo da oleosidade do couro cabeludo e do penteado. Couros cabeludos mais secos e cabelo pintado muitas vezes preferem uma vez por semana, com champô suave e um condicionador leve apenas nas pontas.

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