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Lenha ou pellets: qual é mais económico? Descubra aqui a resposta definitiva.

Duas pessoas analisam pellets e lenha numa mesa, com forno a lenha ao fundo e uma máquina de calcular ao lado.

Na sala de estar, dois rivais encaravam-no: um recuperador a pellets novinho em folha, a brilhar num esmalte branco elegante, e um velho recuperador a lenha em ferro fundido que tinha aquecido três gerações. Passara semanas em fóruns, em lojas de bricolage, a perguntar a vizinhos. Toda a gente tinha uma resposta diferente, toda a gente tinha uma conta “certinha”. E, no entanto, a conta bancária dele só queria saber de uma coisa: o custo real por inverno, não a promessa lustrosa do folheto.

Carregou um saco de pellets e depois um cesto de toros, confirmou preços no telemóvel, rabiscou números no verso de um envelope. Combustível por quilo. Quilowatt-hora. Rendimento. Manutenção. Até somou o seu próprio tempo - as tardes de sábado a rachar lenha. Os números começaram a contar uma história que ele não esperava por completo. Uma linha no papel encarou-o como um veredicto.

Essa linha é a que muda a opinião das pessoas.

Lenha vs pellets: o custo que se vê… e o custo que não se vê

No papel, os toros de lenha parecem imbatíveis. Em muitas regiões, a lenha de folhosas comprada ao metro cúbico continua a ficar bem mais barata do que os pellets ensacados. As pessoas gostam de dizer: “A lenha é de borla se conheceres alguém com terreno.” Isso é meio verdade e meio pensamento desejoso. O preço bruto por quilo é só a frente do palco. Por trás da cortina há o teor de humidade, o rendimento real do aparelho, a frequência de uso e a energia que de facto chega às divisões. Um fogo de lenha a arder bonito por trás do vidro pode, silenciosamente, estar a deitar dinheiro pela chaminé.

Os recuperadores a pellets invertem a lógica. O combustível é padronizado, seco e rigorosamente controlado. Um bom modelo trabalha com 85–90% de rendimento, enquanto muitos recuperadores a lenha antigos mal chegam aos 60–70% na vida real. Por isso, sim: os pellets costumam custar mais por quilo do que a lenha mista. Mas também transformam esse quilo em mais calor útil. Numa pequena cidade no leste de França, uma família que trocou um recuperador a lenha com 15 anos por um modelo a pellets reduziu a fatura total de aquecimento em cerca de 18% no primeiro inverno, apesar de o preço dos pellets ser mais alto. O que mudou foi quanto de cada euro ficou, de facto, dentro de casa sob a forma de calor.

Olhe para a equação completa. Há o preço do combustível por kWh, o rendimento do seu aparelho, o consumo de eletricidade do sem-fim e das ventoinhas nos pellets, a limpeza da chaminé, peças de substituição e o valor do seu tempo. Um recuperador a lenha moderno, alimentado com lenha bem seca, pode empatar e por vezes bater os pellets no custo estrito do combustível - sobretudo onde a lenha é barata e abundante. Um recuperador a pellets, num contexto mais urbano, com oferta estável, pode superar a lenha graças ao controlo automático e ao alto rendimento. O verdadeiro vencedor? O sistema que se ajusta à sua casa, à sua região e aos seus hábitos - não o que ganha num único número de uma tabela.

As mudanças que realmente alteram a sua fatura

Se quer um sistema genuinamente económico, comece por comparar as ofertas de combustível numa base comum: custo por kWh de calor entregue. Pegue no preço local dos pellets por tonelada e no preço da lenha por metro cúbico. Converta ambos em kWh com base no poder calorífico e depois aplique o rendimento do seu equipamento específico. Muitos fornecedores de pellets já indicam kWh/tonelada no saco. Para a lenha, use números realistas: cerca de 1.500–1.800 kWh por metro cúbico empilhado de folhosas bem secas, e não as estimativas otimistas que se veem em anúncios. Quando faz estas contas, a escolha “óbvia” pode mudar depressa.

Próximo passo: adequar o aparelho à casa, não a uma foto do Pinterest. Recuperadores a lenha sobredimensionados são um clássico sorvedouro de dinheiro. Obrigam a queimar “amansado” e sujo, desperdiçando energia e a encher a chaminé de fuligem. Um recuperador moderno bem dimensionado, a trabalhar quente e limpo, consome menos para o mesmo conforto. Um recuperador a pellets mal colocado, a soprar calor para um corredor com portas fechadas, também come dinheiro. Às vezes, deslocar o aparelho um metro, ou acrescentar uma ventoinha simples para movimentar o ar, poupa mais do que mudar de combustível. São ajustes aborrecidos, mas são os que a carteira sente em janeiro.

Então, onde é que as pessoas escorregam? Uma grande armadilha é ignorar os custos escondidos. Recuperadores a pellets precisam de eletricidade, manutenção anual e, ocasionalmente, peças: resistência de ignição, ventoinha, placa eletrónica. Recuperadores a lenha precisam de limpeza do conduto, substituição de juntas e talvez um medidor de humidade para os toros. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Outra armadilha é confiar em lenha “gratuita” que afinal está húmida, suja ou mal armazenada. Lenha húmida devora energia a evaporar água em vez de aquecer a sala. Todos já vivemos aquele momento: a chama parece forte, o vidro fica preto e, mesmo assim, continuamos a puxar pela manta.

“O quilo de combustível mais barato é inútil se metade foge como fumo”, diz um limpa-chaminés que conheci numa pequena aldeia alpina. “As pessoas discutem lenha versus pellets, mas raramente discutem como é que queimam.”

Aqui vai uma folha de batota compacta que muitos leitores prendem no frigorífico antes de começar o frio:

  • Lenha barata + mau aparelho = contas baixas no papel, muito desperdício na realidade.
  • Boa lenha + bom recuperador a lenha = forte concorrente em regiões com floresta.
  • Pellets + recuperador a pellets eficiente = custos estáveis, previsíveis e conforto.
  • Pellets + fornecimento instável ou má manutenção = surpresas desagradáveis a meio da época.
  • Os seus hábitos (temperatura, horários, manutenção) pesam tanto como o combustível.

A resposta definitiva… que ainda deixa espaço para si

Se obrigar os números a um duelo direto, os pellets ganham muitas vezes em zonas densas ou semiurbanas, onde a lenha é vendida a preço de retalho e o armazenamento é limitado. A consistência, o alto rendimento e a operação programável reduzem o desperdício. Os recuperadores a lenha costumam levar a melhor em zonas rurais com acesso fácil a folhosas a bom preço e espaço para secagem. O sistema “mais económico” não é uma medalha universal; é um mapa com duas rotas que se cruzam conforme o local onde vive e a forma como aquece. Algumas casas até usam uma estratégia dupla: lenha para o conforto longo e lento do fim de semana, pellets para a automatização durante a semana.

As conversas mais interessantes começam quando as pessoas partilham as suas faturas reais. Alguém publica o consumo de pellets e a eletricidade usada; outro responde com fotos da pilha de lenha e do seu custo anual de aquecimento de 280 €. Estas histórias revelam algo que os folhetos de venda omitem: estilo de vida, ritmo e até prazer. Cortar a própria lenha, empilhá-la debaixo de um telheiro, acender o fogo à mão - ou carregar num botão e chegar a casa com uma sala quente e o vidro limpo. A verdadeira economia inclui dinheiro, tempo e a energia que quer gastar a tratar do seu aquecimento.

No ano em que o Mark fez as contas no verso do envelope, não deitou fora o velho recuperador a lenha. Manteve-o como reserva e instalou um recuperador a pellets de tamanho médio na divisão principal. Os pellets fizeram o trabalho nos dias úteis, constantes e previsíveis. A lenha assumiu o controlo aos domingos de tempestade, quando toros lentos e almoços longos faziam mais sentido do que conforto agendado. A sua fatura de aquecimento baixou. A casa pareceu mais quente. E a discussão “lenha versus pellets” transformou-se numa pergunta mais silenciosa: como quero que sejam os meus dias de inverno?

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Custo real por kWh Comparar o preço da lenha e dos pellets integrando o rendimento do recuperador Permite saber que sistema custa mesmo menos em sua casa
Adequação à casa Dimensionamento, localização e isolamento influenciam tanto como a escolha do combustível Ajuda a evitar uma compra mal ajustada que aumenta a fatura
Hábitos e tempo Tempo para gerir a lenha, tolerância ao ruído e à automatização nos pellets Convida a escolher uma solução económica também no dia a dia

FAQ:

  • Os recuperadores a pellets são sempre mais baratos de usar do que os recuperadores a lenha? Nem sempre. Em zonas com lenha local barata e um recuperador a lenha moderno e eficiente, os toros podem bater os pellets no custo puro. Os pellets costumam ganhar onde a lenha é cara e o espaço para armazenamento ou secagem é limitado.
  • Quanto custa, na prática, a eletricidade de um recuperador a pellets? A maioria consome cerca de 50–100 watts enquanto funciona, e mais durante a ignição. Ao longo de um inverno, isto costuma equivaler ao custo de mais alguns sacos de pellets, e não a uma segunda fatura de energia.
  • E se eu conseguir a minha lenha de graça? Lenha “gratuita” continua a ter um custo: o seu tempo, ferramentas, transporte e espaço para secagem. Se gosta do trabalho, esse custo parece baixo. Se não gosta, pode valorizar mais a conveniência dos pellets do que a poupança da lenha grátis.
  • Posso aquecer uma casa inteira apenas com um recuperador a pellets ou a lenha? É possível em casas compactas ou bem isoladas, sobretudo com portas abertas e boa circulação de ar. Em casas maiores ou mais antigas, um único aparelho costuma funcionar como fonte principal com apoio de outro sistema.
  • Qual é a forma mais simples de decidir entre lenha e pellets? Obtenha três valores: preço local de lenha seca de folhosas, preço local dos pellets e o rendimento real do aparelho que está a considerar. Depois acrescente duas perguntas: quanto tempo quer dedicar ao seu aquecimento… e como imagina as suas noites ideais de inverno.

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