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“O carácter repetitivo é destrutivo”: sinais de um colega tóxico, segundo esta psicóloga.

Homem sentado a escrever numa secretária com computador e cadernos, enquanto uma mulher está em pé ao fundo.

Mesmo tempo, mesmo padrão: o seu colega recostou a cadeira com um suspiro, largou um comentário embrulhado em piada, e toda a gente riu um pouco alto demais. Você sorriu também, por reflexo. Algo voltou a soar errado.

Mais tarde, enquanto tentava concentrar-se, ele “apenas fez uma pergunta” que acabou por virar uma crítica às suas escolhas. Quando o chefe apareceu, mudou o tom num segundo: simpático e radiante, como se nada tivesse acontecido. Você ficou a pensar se estava a exagerar ou a ver as coisas com clareza.

Um psicólogo diria: olhe para a repetição, não para o momento isolado. O padrão diz a verdade.

O padrão subtil que o desgasta

Psicólogo após psicólogo repete o mesmo aviso: um colega tóxico raramente explode uma vez - repete os mesmos movimentos emocionais. É aí que o dano se esconde. Um comentário sarcástico não é nada. O décimo quinto numa semana muda a forma como você respira à secretária.

Eles questionam a sua memória, reformulam o que foi dito, ou testam os seus limites com um sorriso. Você começa a rever e-mails que antes enviava com confiança. O seu dia não desaba numa cena dramática. Dissolve-se em pequenas gotas.

A natureza repetitiva é destrutiva porque reconfigura a sua linha de base. Você deixa de ver onde está realmente o problema: não em você ser “demasiado sensível”, mas nos micro-ataques constantes que moldam o ambiente.

Veja a história de Lila, assistente de marketing entrevistada por um psicólogo do trabalho em Londres. O colega Tom nunca gritou. Nunca a insultou. Simplesmente “esquecia-se” de a colocar em e-mails importantes e depois culpava-a por não ter a informação. Fazia “piadas” em reuniões sobre ela ser desorganizada e depois pedia desculpa em privado, dizendo que estava só a meter-se com ela.

Ao fim de seis meses, o sono de Lila estava arruinado. Ela achava que era incompetente. O psicólogo pediu-lhe que mantivesse um registo escrito. Foi aí que o padrão ficou visível: comentários semelhantes, o mesmo timing antes das avaliações de desempenho, o mesmo “esquecimento” antes de grandes apresentações.

Um a um, os episódios pareciam explicáveis. Vistos em conjunto, eram uma estratégia.

A investigação em psicologia ocupacional mostra que as pessoas subestimam o impacto de comportamentos de baixa intensidade e alta frequência. Um único e-mail agressivo drena-o durante uma hora. Um fluxo constante de comentários que o minam vai, silenciosamente, corroendo a autoconfiança ao longo de semanas.

O colega tóxico costuma contar com este ponto cego. Joga com a negação plausível: “Era só uma brincadeira”, “Você entendeu mal”, “Eu pensei que você sabia”. Você começa a duvidar da sua própria perceção em vez de questionar o padrão em si.

É assim que a repetição se torna uma arma. Não é barulhenta, nem cinematográfica, mas constante e precisa. E é isso que os denuncia - se você souber onde procurar.

Sinais que um psicólogo observa num colega tóxico

A psicóloga do trabalho Dra. Erin Hayes diz que procura três coisas em histórias sobre colegas: repetição, inversão e isolamento. Repetição é o mesmo comportamento, uma e outra vez, em diferentes contextos. Inversão é quando a pessoa troca os papéis e faz-se de vítima, mesmo sendo ela a causar dano. Isolamento é o corte lento das pontes à sua volta.

Pense no colega que se “esquece” sempre de passar prazos, mas é o primeiro a denunciar os seus atrasos. Ou naquele que diz aos outros que você anda “stressado ultimamente” depois de o provocar. Os detalhes mudam. A estrutura mantém-se.

A regra prática de Hayes é direta: se alguém repetidamente o faz sentir-se menor, confuso ou culpado por coisas que não fez, isso é um sinal de alerta. O rescaldo emocional costuma ser mais fiável do que as palavras simpáticas.

A nível prático, os psicólogos muitas vezes pedem aos clientes que descrevam uma semana normal, não apenas grandes crises. É aí que a verdadeira história se esconde. Um gestor de RH partilhou um caso em que três colaboradores diferentes mencionaram o mesmo colega “a brincar” com os erros deles durante chamadas de equipa.

Um colaborador achava que era falta de sentido de humor. Outro culpava diferenças culturais. Um terceiro tinha a certeza de que era pessoal. Quando os RH colocaram os relatos lado a lado, o padrão tornou-se impossível de ignorar: o mesmo colega usava sempre “brincadeiras” para humilhar as pessoas imediatamente antes de projetos importantes e depois enviava mensagens privadas posicionando-se como “o único a ser honesto”.

Estatísticas do relatório do CIPD (Reino Unido) mostram que cerca de um quarto dos colaboradores dizem ter experienciado comportamento de desvalorização regular no trabalho. Regular é a palavra-chave aqui. Não é bullying espetacular. É um gotejar de pequenos ataques que ninguém quer nomear.

Os psicólogos explicam assim: o seu cérebro tenta proteger a ideia de um local de trabalho “normal”. Por isso racionaliza os primeiros incidentes. Talvez o segundo. Ao décimo, você está demasiado cansado e confuso para ver o fio condutor.

Um colega tóxico explora três alavancas. Primeiro, cria confusão sobre o que realmente aconteceu. Segundo, vai corroendo o seu direito de ficar incomodado: “Você está a exagerar.” Terceiro, constrói alianças sendo extremamente encantador com os outros.

Logicamente, isto cria um triângulo: você, ele e a audiência. Em privado, rebaixa-o. Em público, encena apoio ou humor. Com o tempo, este duplo comportamento faz você sentir-se isolado, como se ninguém fosse acreditar na sua experiência.

A natureza repetitiva é destrutiva não só para a sua autoestima, mas para a cultura da equipa. As pessoas começam a andar em bicos de pés. O feedback honesto desaparece, substituído por sarcasmo ou silêncio.

Um psicólogo dir-lhe-á: se a mesma pessoa aparece em várias histórias de tensão, má comunicação e “mal-entendidos”, isso raramente é um acaso. É um padrão com um rosto.

Como responder sem se perder

O primeiro passo concreto que muitos psicólogos recomendam é enganosamente simples: registe, não reaja. Em vez de discutir no momento, escreva. Data, hora, o que foi dito, quem estava presente, como você se sentiu. Não por drama. Por clareza.

Este registo quebra o feitiço do isolamento. Dá-lhe algo sólido para observar numa semana, num mês, com um mentor, com os RH ou com um terapeuta. Você já não depende de uma memória enevoada moldada pelo stress.

Depois vem o limite. Uma frase clara e curta é muitas vezes mais poderosa do que uma explicação longa e emocional. “Não aprecio que me fale dessa forma.” “Vamos ficar pelos factos, não por comentários pessoais.” Curto, neutro, repetido.

Aqui vai a parte honesta: isto é emocionalmente exaustivo. Num dia mau, você só quer aguentar a reunião e ir para casa. Sejamos honestos: ninguém faz mesmo isto todos os dias.

Um erro comum é tentar “consertar” o colega tóxico com gentileza. Explica demasiado, adapta-se demasiado e espera que a empatia mude a dinâmica. Infelizmente, em muitos casos, isso apenas ensina a outra pessoa a puxar ainda mais.

Outra armadilha comum é ficar calado por medo de conflito, enquanto desabafa sem parar com amigos ou família. O alívio é real, mas nada muda no trabalho. Os psicólogos chamam a isto “descarga horizontal”: toda a emoção sai para o lado, não para a ação.

Se você se reconhece nisto, você não é fraco. Está cansado. Há diferença. Um gesto mais compassivo é planear um pequeno passo exequível por semana: documentar um incidente, testar uma frase-limite, falar uma vez com um colega de confiança.

A Dra. Hayes resume com uma frase que muitos clientes guardam nas notas:

“Você não tem de diagnosticar o seu colega. Só tem de decidir que comportamento repetido já não está disposto a aceitar.”

Os psicólogos sugerem muitas vezes construir um micro-sistema de apoio à sua volta, mesmo que sejam apenas duas pessoas. Um gestor de outra equipa, um colega sénior que já viu de tudo, um amigo fora da empresa. Você não está a criar drama. Está a criar perspetiva.

  • Repare no padrão, não na atuação.
  • Registe o que acontece, antes de explicar porquê.
  • Use frases curtas de limite, sem se justificar.
  • Procure aliados que vejam o quadro geral.
  • Considere os RH ou ajuda profissional se o padrão não mudar.

O local de trabalho que você tolera - e aquele com que sonha em silêncio

Raramente imaginamos “colega tóxico” quando assinamos um novo contrato. Imaginamos projetos, crescimento, talvez amizades à volta de um café. A realidade é muitas vezes mais confusa. Ainda assim, a forma como respondemos a comportamentos repetidos e pouco saudáveis molda não só a nossa carreira, mas também o nosso sentido de identidade a longo prazo.

Num open space cheio, onde os portáteis brilham até tarde e o Slack nunca dorme, a coisa mais perigosa nem sempre é a voz mais alta. É a normalização silenciosa da falta de respeito. A piada que você engole. O revirar de olhos que você desculpa. O comentário que fica preso no peito horas depois de a reunião acabar.

Numa nota mais esperançosa, cada limite traçado redesenha um pouco o mapa. Uma pessoa a recusar rir-se de uma piada humilhante. Um gestor a levar uma queixa a sério. Um colega a dizer “Isso não está bem” no momento. Pequenos atos, multiplicados, podem lentamente sufocar o padrão tóxico - em vez de o sufocar a si.

A nível pessoal, reconhecer estes padrões tem menos a ver com rotular os outros como monstros e mais com escolher o ambiente em que você quer crescer. Você pode não mudar o seu colega. Pode mudar a frequência com que ele tem acesso à sua energia, à sua atenção, ao seu silêncio.

Todos conhecemos aquele momento em que pensamos, a meio da semana: “Não é o trabalho que me está a esgotar. É uma pessoa.” Dar nome a essa verdade não é fraqueza. É um ponto de partida. A partir daí, a pergunta é simples e difícil ao mesmo tempo: com que tipo de repetição você quer viver todos os dias?

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Identificar a repetição Observar os mesmos comportamentos nocivos que regressam vezes sem conta Ajuda a distinguir um incidente isolado de um verdadeiro padrão tóxico
Ouvir o que sente Anotar confusão, culpa ou sensação de ficar “mais pequeno” após certas interações Permite confiar nos sinais internos em vez de desculpas falsas
Passar à ação mínima Manter um registo, definir um limite, procurar um aliado Oferece alavancas concretas para recuperar controlo no trabalho

FAQ:

  • Como sei se estou a lidar com um colega tóxico ou apenas com uma personalidade difícil?
    Olhe para o padrão ao longo do tempo. Uma pessoa difícil pode ser desajeitada ou direta, mas não sistematicamente destrutiva. Um colega tóxico repete comportamentos que o rebaixam, o isolam ou criam deliberadamente confusão.
  • Devo confrontar um colega tóxico diretamente?
    Comece por limites simples e neutros, e depois observe a reação. Se a pessoa aumentar a pressão ou se vitimizar, isso muitas vezes confirma o caráter tóxico, e pode ser necessário envolver um gestor ou os RH.
  • Documentar incidentes é mesmo útil, ou apenas stressante?
    Um registo factual dá-lhe clareza e um suporte concreto caso tenha de falar com um superior ou com os RH. Também reduz a tendência para se questionar constantemente.
  • E se os RH não levarem a minha situação a sério?
    Procure primeiro aliados internos (outros gestores, representantes dos trabalhadores). Se nada mudar, fale com um profissional externo ou considere, a médio prazo, um ambiente de trabalho mais saudável.
  • Um colega tóxico pode mesmo afetar a minha saúde mental a longo prazo?
    Sim. A exposição repetida a microagressões ou manipulação pode aumentar o stress, a ansiedade, os problemas de sono e a perda de confiança. Intervir cedo, mesmo com pequenas ações, protege o seu equilíbrio ao longo do tempo.

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