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Porque os animais de estimação dormem mais após a visita de pessoas e o impacto da sobrecarga social

Cão castanho a dormir num sofá cinza com manta amarela numa sala bem iluminada.

A porta fecha-se, a última gargalhada esvai-se no patamar das escadas e, de repente, a casa fica estranhamente silenciosa. Olha para baixo e vê o seu cão a atirar-se para o tapete como um balão vazio, ou a sua gata a desaparecer debaixo da cama como se tivesse corrido uma maratona. Dez minutos depois, há um ressonar suave vindo de algum lado, patas a tremer, orelhas ainda meio em alerta.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que a festa acaba e o seu animal de estimação parece mais exausto do que você.

Diz para si: “Ele esteve a dormir no sofá a tarde toda, como é que pode estar tão cansado?”

Mas os suspiros pesados dizem outra coisa.

Houve qualquer coisa naqueles visitantes que o deixou de rastos.

Porque é que o seu animal fica tão “desligado” depois de os convidados irem embora

Observe o seu animal da próxima vez que alguém tocar à campainha.

As orelhas levantam-se, o corpo fica tenso, os olhos arregalam-se. Até o cão ou o gato mais descontraído muda para uma velocidade mais alta. Há cheiro novo, ruído novo, energia nova. Nas horas seguintes, estão “de serviço”, a vigiar cada movimento: passos no corredor, cadeiras a arrastar, rajadas de riso, o tilintar de copos.

Aos nossos olhos humanos, estão “só ali a andar”. Do ponto de vista deles, é uma tempestade sensorial completa.

Pense num cão tímido num jantar de família. A tia Maria não pára de se inclinar para lhe fazer festas; as crianças guincham sempre que ele abana a cauda; alguém deixa cair comida; outra pessoa chega um pouco demasiado perto da cama dele.

Ele não ladra, não se esconde. Apenas segue as pessoas de divisão em divisão, deita-se, levanta-se, cheira cada mala e cada casaco novo que aparece. Os convidados dizem que ele é “tão bem-comportado” e “um menino tão calmo”.

Duas horas depois, a porta fecha-se, as luzes baixam, e ele cai para o lado o resto da noite, a respirar fundo como se tivesse corrido dez quilómetros.

Os veterinários especialistas em comportamento chamam a isto sobrestimulação social.

Mesmo que o seu animal adore visitas, o cérebro dele está a processar uma enxurrada de sinais sociais: cheiros, expressões faciais, vozes, linguagem corporal, mudanças na dinâmica do grupo. Isso exige concentração e regulação emocional.

Pense em como se sente depois de um dia de conversas de circunstância e reuniões. O seu cérebro não está fisicamente lesionado - está simplesmente esgotado. O “colapso” do seu animal após as visitas é a mesma coisa: o sistema nervoso a descer de “alerta máximo” para modo de recuperação. Dormir é a forma que eles têm de reajustar o “botão interno”.

Como proteger o seu animal do cansaço social

Uma das coisas mais simpáticas que pode fazer em dias de visitas é planear antecipadamente uma zona tranquila.

Escolha um quarto, um canto atrás do sofá, ou até uma caixa de transporte aberta com uma manta a tapar parcialmente. Coloque lá a cama habitual, um brinquedo para roer, talvez uma T-shirt usada com o seu cheiro. Isto torna-se o “camarim” seguro enquanto o espetáculo social acontece na sala.

Depois, quando os convidados chegarem, guie-o com calma para lá fazer pequenas pausas, em vez de o deixar aguentar atenção sem parar.

Muitos donos sentem alguma culpa por “afastar” o animal quando há amigos em casa.

O receio é: “Se a puser noutra divisão, vai sentir-se excluída ou triste.” No entanto, para a maioria dos animais, um espaço silencioso com cheiros familiares é muito mais reconfortante do que ficar preso no meio de vozes altas e mãos imprevisíveis a estenderem-se.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Mas, em noites grandes e barulhentas, algumas pausas de dez minutos podem evitar o colapso total que vê quando a última pessoa vai embora.

Às vezes, a coisa mais corajosa que um animal faz o dia inteiro é simplesmente lidar com a nossa vida social humana, em silêncio e sem queixas.

  • Crie uma zona de “não incomodar”
    Escolha um local que os convidados não atravessem constantemente. Diga às pessoas, com simpatia, que aquela é a área de descanso do seu animal.
  • Ofereça calma, não guloseimas
    Alimentação constante dada por visitantes mantém a estimulação elevada. Use antes um osso de longa duração ou um tapete de lamber.
  • Esteja atento a sinais precoces de fadiga
    Lamber os lábios, bocejar, virar a cara, andar de um lado para o outro, esconder-se atrás de si: muitas vezes significam “já chega”.
  • Limite maratonas criança–animal
    Sessões curtas e supervisionadas são melhores do que uma hora de corridas, perseguições e abraços.
  • Respeite a sesta pós-visita
    Quando a casa ficar quieta, deixe-o dormir. Evite treino extra, escovagem ou televisão alta durante algum tempo.

Viver com um animal socialmente sensível

Quando repara neste padrão, é difícil deixar de o ver.

Começa a perceber que o “preguiçoso do sofá” que dorme três horas depois de um brunch com amigos não é preguiçoso coisa nenhuma. Ele passou o tempo todo a decifrar uma sala cheia de humanos, a navegar toques, sons e cheiros, e a tentar manter-se “educado” num mundo que não fala a língua dele.

A sesta não é um defeito; é o ritual de autocuidado incorporado nele.

Alguns animais recuperam depressa. Outros ficam arrasados até ao dia seguinte: mais quietos nos passeios, menos brincalhões, um pouco mais agarrados a si ou, pelo contrário, mais distantes. Isso não significa que deva deixar de convidar pessoas para casa ou embrulhar o seu cão em plástico-bolha para sempre.

Significa apenas que vive com um ser que sente a energia social com mais intensidade do que você. Repare nisso. Ajuste pequenas coisas. Partilhe essa consciência com visitantes dispostos a ouvir.

Quando abranda o suficiente para ver a sobrestimulação social em ação, acontece algo curioso: começa a fazer perguntas diferentes. Não “Porque é que o meu cão fica estranho depois de haver convidados?”, mas “Como é que o dia terá sido do ponto de vista dele?”

Essa pequena mudança mental altera toda a relação.

Se mais pessoas prestassem atenção a estas sestas “depois de gente”, talvez compreendêssemos melhor os nossos animais - e, em silêncio, também as nossas próprias ressacas sociais.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A sobrestimulação social é real As visitas desencadeiam processamento sensorial e emocional constante nos animais Ajuda-o a não interpretar o cansaço como preguiça ou “mau humor”
Zonas seguras reduzem o stress Espaços tranquilos e pausas planeadas funcionam como um botão de reset Dá-lhe uma forma simples de evitar colapsos e comportamentos de excesso de cansaço
O sono pós-visita é recuperação Sestas profundas ajudam o sistema nervoso a passar de alerta elevado para calma Incentiva-o a respeitar o descanso em vez de forçar mais atividade

FAQ:

  • Porque é que o meu cão dorme o dia todo depois de termos visitas?
    O seu cão provavelmente teve sobrestimulação social: cheiros novos, vozes e interações mantiveram o cérebro dele “ligado” durante horas. O sono extra é a forma que ele tem de recuperar e processar a experiência.
  • É normal a minha gata esconder-se e depois dormir muito quando os convidados vão embora?
    Sim. Muitas gatas lidam com a situação retirando-se para um local seguro e, depois, dormindo profundamente quando a casa volta a estar silenciosa. Esconder-se e dormir muito muitas vezes significa “isto foi demais para mim”.
  • Devo acordar o meu animal para comer ou brincar depois de os convidados irem embora?
    Se estiver num sono profundo e relaxado e não estiver a tomar medicação, geralmente é melhor deixá-lo descansar e oferecer comida um pouco mais tarde. Pequenas verificações suaves são aceitáveis, mas evite forçar atividade.
  • Como posso saber se o meu animal está sobrestimulado ou doente?
    A sobrestimulação costuma seguir-se a um evento claro, como uma festa ou uma saída movimentada, e melhora com descanso. Se o seu animal parecer apático, recusar comida, ou se a fadiga durar mais de um ou dois dias, é sensato consultar o veterinário.
  • Existem animais “introvertidos” ou estou a imaginar?
    Alguns animais são genuinamente mais sensíveis socialmente do que outros. Podem gostar de companhia em pequenas doses, mas cansar-se rapidamente. Isso não os torna “avariados”; é simplesmente o temperamento deles.

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