A ventoinha da casa de banho zune suavemente enquanto Margaret, 73 anos, fixa o manípulo do chuveiro como se este lhe estivesse a pedir que tomasse uma grande decisão. A filha disse-lhe para tomar banho todos os dias “para se manter fresca”. O médico deu a entender que talvez se esteja a lavar vezes demais por causa das comichões nas pernas. Online, lê exatamente o contrário em cada artigo. Todos os dias. Duas vezes por semana. Uma vez por semana. Já ouviu de tudo.
Passa os dedos pela pele fina dos braços e pergunta-se: será que isto foi mesmo feito para água quente todas as manhãs? Os azulejos estão frios, a toalha está pronta, mas a pergunta fica no ar. Com que frequência é que um corpo de 70 anos deve, na prática, ir ao duche?
A resposta dos dermatologistas é surpreendentemente precisa. E não é o que a maioria das pessoas pensa.
Com que frequência deve mesmo tomar banho depois dos 65?
Pergunte a cinco pessoas com mais de 65 anos com que frequência tomam banho e vai ouvir cinco histórias completamente diferentes. Todos os dias, “quando me apetece”, só antes de eventos sociais, ou a velha rotina do “banho ao sábado à noite”. Há culpa quando se salta um dia, preocupação quando a pele começa a rachar e, por vezes, um medo silencioso de cheirar a “velho”.
O que os especialistas dizem hoje contraria décadas de hábitos. São claros: para a maioria das pessoas com mais de 65, o ponto ideal é dois a três banhos por semana, não um por dia nem um todos os domingos. O objetivo é simples: manter-se limpo sem retirar a barreira natural de que a pele precisa desesperadamente nessa idade.
Num inquérito de 2022 de uma rede norte-americana de saúde sénior, mais de 40% dos inquiridos com mais de 70 anos disseram que lidavam com pele seca ou com comichão “na maioria dos dias”. Muitos culparam a “idade” ou “cremes maus”. Os dermatologistas que os observaram apontaram primeiro para uma coisa: a frequência dos banhos.
Veja-se o caso do Leon, 68 anos. Orgulhava-se da sua rotina estilo militar: duche quente às 6h30 todas as manhãs, gel forte, esfregar com vigor. As pernas ardiam e descamavam durante todo o inverno. Quando o geriatra lhe disse para reduzir para três duches mornos por semana, quase se riu. Três meses depois, a comichão tinha praticamente desaparecido. O mesmo homem, a mesma pele - apenas menos banhos e produtos mais suaves.
Depois dos 65, a pele produz menos sebo e a camada exterior fica mais fina. Isto significa que cada duche quente, cada sabão agressivo, remove óleos que a pele já não repõe com facilidade. Lavar-se diariamente pode transformar-se num ataque lento: microfissuras, vermelhidão, sensação de repuxar e, depois, infeções que começam por “só uma pequena irritação”.
Os especialistas em cuidados geriátricos explicam que higiene não é um número fixo; é uma questão de equilíbrio. Tome banho duas a três vezes por semana. Lave diariamente axilas, virilhas, pés e pregas cutâneas com uma toalha húmida/luva de banho. Esta combinação mantém a sensação de frescura, limita odores, protege o microbioma e respeita a fragilidade da pele envelhecida. A higiene, depois dos 65, passa a ser mais uma estratégia do que um reflexo.
Tome banho com inteligência, não com mais frequência: a rotina que realmente o protege
Depois de aceitar “dois a três banhos por semana” como o novo normal, o passo seguinte é repensar como toma banho. A rotina ideal após os 65 é simples: água morna, 8–10 minutos no máximo, lavagem suave nas zonas-chave e hidratação imediata. Só isto.
Concentre-se em axilas, virilhas, nádegas, pés, debaixo do peito e pregas cutâneas com um produto suave e sem perfume. Deixe a água correr sobre o resto do corpo, em vez de esfregar cada centímetro como se fosse uma frigideira suja. Depois, com a pele ainda ligeiramente húmida, aplique um creme rico ou leite corporal do pescoço aos pés. Pense nisto como repor o que a água levou.
Muitos leitores confessam fazer o contrário: duches muito quentes “para relaxar as articulações”, esponjas agressivas, géis perfumados fortes comprados em promoção. Sejamos honestos: ninguém faz mesmo isto todos os dias com um produto adequado à sua pele.
Todos já passámos por aquele momento em que saímos do duche, com a pele a repuxar, a dizer para nós próprios que isso é “normal na nossa idade”. Essa sensação de aperto e comichão não é sinal de limpeza. É dano. Duches mais curtos e mais frescos, menos espuma, mais creme - é aí que vive o conforto depois dos 65.
A dermatologista Dra. Elena Ruiz, que trabalha sobretudo com adultos mais velhos, resume de forma simples:
“Depois dos 65, a pele não precisa de mais sabão - precisa de mais gentileza. Dois ou três duches bem feitos por semana e uma lavagem diária dirigida são muito mais saudáveis do que um ritual diário de esfregar.”
Para tornar isto concreto, muitos especialistas partilham hoje uma espécie de “checklist de higiene” para seniores e cuidadores:
- Banho: 2–3 vezes por semana, água morna, menos de 10 minutos.
- Lavagem diária com toalha/luva: axilas, virilhas, zona genital, pés, pregas cutâneas.
- Cabelo: 1–2 lavagens por semana com champô suave.
- Hidratante: após cada banho e, no inverno, diariamente nas pernas.
- Troca de roupa interior e meias: todos os dias, sem falhar.
Esta combinação preserva dignidade, conforto e limpeza real sem transformar a casa de banho num campo de batalha contra a própria pele.
Viver com um novo ritmo: higiene como cuidado, não como pressão
Quando se começa a ver o banho como uma ferramenta em vez de uma regra, tudo muda. Duas a três vezes por semana passa a ser um ritmo escolhido, não um falhanço por não “acompanhar”. Muitas pessoas mais velhas dizem sentir-se menos exaustas, menos receosas de escorregar, menos stressadas com a ideia de “ter de” tomar banho todos os dias.
Os familiares muitas vezes também precisam de atualizar as suas ideias. Um pai ou mãe que não toma banho diariamente não está, por definição, a “negligenciar-se”. Pode, finalmente, estar a alinhar-se com o que os especialistas em geriatria recomendam. Conversa, não acusação - isso faz toda a diferença.
Há ainda um benefício escondido: o corpo recupera os seus sinais. Quando os banhos são menos mecânicos, cheiros, suor e conforto tornam-se indicadores reais. Nota-se quando algo muda. Um odor persistente, corrimento invulgar, comichão súbita numa área - estes sinais destacam-se mais num padrão estável.
A higiene depois dos 65 deixa de ser uma corrida contra a idade e passa a ser uma monitorização diária e tranquila do próprio corpo. Menos esforço, mais escuta. É quase o oposto da cultura frenética do “lava e segue” com que muitos dos atuais seniores cresceram.
Para alguns, mudar esta rotina é emocional. Pode parecer como abdicar de um padrão de vida, ou como admitir que o corpo mudou. Ainda assim, os especialistas repetem a mesma mensagem: cuidar de um corpo envelhecido é atualizar as regras, não baixar a fasquia.
Um banho três vezes por semana, mais uma lavagem diária bem pensada, não é preguiça. É uma forma moderna, apoiada pela ciência, de continuar a viver bem num corpo que já viveu muito. A verdadeira questão já não é “Estou suficientemente limpo?”, mas “A minha rotina respeita a pele que tenho hoje?”
A higiene depois dos 65 tem menos a ver com cheirar a perfume e mais a ver com sentir-se bem na própria pele - literalmente. Alguns leitores vão ler estas linhas e sentir alívio, finalmente autorizados a largar a culpa exaustiva do duche diário. Outros vão sentir-se desafiados, quase desconfiados da ideia de que “menos pode ser melhor”.
Ambas as reações são válidas. O que importa é abrir a porta a uma nova conversa entre gerações, médicos e famílias. Talvez da próxima vez que visitar um progenitor, companheiro(a) ou vizinho(a), olhe para a prateleira da casa de banho com outros olhos. Talvez repare no gel de duche agressivo, na flanela dura como pedra, no tubo de hidratante vazio. Ou nos seus.
A partir daí, pequenas mudanças podem espalhar-se: uma esponja mais macia, menos banhos, mais creme, mais escuta. E, atrás de uma porta de casa de banho fechada, longe dos debates online, uma pessoa mais velha pode finalmente sentir o que ninguém lhe disse com clareza suficiente: a pele dela tem direito a descansar.
| Ponto-chave | Detalhe | Benefício para o leitor |
|---|---|---|
| Frequência ideal dos banhos | 2–3 vezes por semana após os 65 anos, com higiene dirigida diária | Ajustar o ritmo sem culpa, mantendo-se limpo |
| Proteção da barreira cutânea | Banhos curtos, água morna, gel suave e hidratação sistemática | Reduzir comichão, secura e risco de infeções |
| Rotina simples e realista | Checklist clara: zonas a lavar todos os dias, frequência do cabelo, roupa interior | Criar um ritual viável para si ou para alguém próximo |
FAQ
- Com que frequência deve uma pessoa com mais de 65 anos tomar banho? A maioria dos dermatologistas e geriatras recomenda dois a três banhos por semana, mais lavagem diária das zonas-chave (axilas, virilhas, pés, pregas cutâneas, zona genital) com uma toalha/luva de banho.
- É pouco higiénico não tomar banho todos os dias nessa idade? Não. Com lavagem diária dirigida e roupa interior limpa, mantém-se a higiene. Os problemas costumam vir de não haver qualquer lavagem, não de saltar banhos completos.
- O meu familiar detesta tomar banho; o que posso sugerir em alternativa? Sugira duches mais curtos, com água morna, duas vezes por semana, e proponha lavagens “da cabeça aos pés” ao lavatório ou com uma bacia nos restantes dias. Por vezes, mudar a hora do dia ou usar uma cadeira de duche ajuda muito.
- Tomar banho todos os dias pode ser prejudicial para seniores? Para muitos, sim: duches quentes diários com sabões fortes podem secar e afinar a pele, aumentando comichão, fissuras e risco de infeção, sobretudo nas pernas e nos pés.
- Que produtos são melhores para pele envelhecida? Opte por produtos de limpeza suaves, sem perfume, e hidratantes ricos formulados para pele seca ou sensível. Evite esfoliantes agressivos, géis muito espumosos e produtos fortemente perfumados.
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