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Torne as chamadas difíceis menos cansativas mudando o que faz antes de ligar.

Pessoa segurando telemóvel, sentado à mesa com caderno aberto, caneta e relógio digital.

O nome está mesmo ali, a brilhar para si. O polegar paira sobre o botão verde, mas sente o peito um pouco apertado e a mente já está a correr os piores cenários, como uma maratona tardia de Netflix.

Sabe que tem de ligar: ao cliente que tem evitado, ao médico com resultados de análises, ao amigo que magoou ligeiramente, ao chefe que pode dizer que não. O telefone está silencioso, mas o seu pulso não. O café já arrefeceu e ainda nem carregou em “marcar”.

Então faz o que toda a gente faz. Volta a verificar o e-mail. Faz scroll nas redes sociais. Abre a app de notas para “preparar” o que vai dizer. Qualquer coisa para não sentir aquela onda súbita de pavor que chega no momento em que a chamada começa a tocar.

Agora imagine se a parte desgastante dessa chamada não começasse no toque, mas terminasse aí.

A tempestade silenciosa antes de ligar

A maior parte dos conselhos sobre chamadas difíceis foca-se no que dizer quando a outra pessoa atende. Guiões, estruturas, frases mágicas. Isso é útil, claro, mas falha onde acontece a verdadeira fuga emocional: nos dois ou três minutos imediatamente antes de carregar para ligar.

É aí que o seu cérebro transforma uma simples chamada num maratona emocional. O seu corpo entra em modo “vem aí algo mau”, mesmo que esteja apenas a ligar por causa de uma factura em atraso. Coração acelerado, maxilar tenso, respiração superficial. Quando a outra pessoa diz “estou?”, você já está exausto.

Esses pequenos momentos pré-chamada são onde decidimos, em silêncio, como tudo vai saber. A maioria das pessoas trata este tempo como uma sala de espera: fica ali sentado, em espiral mental, até a recepcionista chamar o seu nome. E se, em vez disso, tratasse esses 60 a 90 segundos como um botão de reinício?

Pergunte a quem lida regularmente com conversas difíceis ao telefone - terapeutas, cobradores de dívidas, profissionais de RH, jornalistas. Muitos têm algum tipo de ritual antes de marcar, mesmo que nunca lhe chamem assim. Um gole de água, uma respiração, uma frase que dizem a si próprios, um olhar rápido pela janela.

Uma executiva com quem falei gere despedimentos numa grande empresa. Disse que a parte mais difícil não é a conversa em si, mas os cinco segundos imediatamente antes de carregar no botão. “Se apresso esse momento, pago por isso emocionalmente o resto do dia”, disse-me. Por isso, criou uma micro-rotina: uma inspiração profunda, uma frase de intenção, um breve alongamento dos ombros. A chamada continua a doer, mas ela não fica arrasada durante horas depois.

Há investigação que também sustenta isto. Estudos sobre “ansiedade antecipatória” mostram que o nosso sistema nervoso reage mais fortemente ao que estamos à espera do que ao que está realmente a acontecer. Em termos simples: a espera para fazer a chamada é muitas vezes mais desgastante do que a própria chamada. Uma acção curta e deliberada antes de marcar pode interromper esse ciclo de ansiedade. É um sinal para o corpo: “Isto não é um desastre. É apenas uma chamada.” Quando o corpo recebe esse recado, o cérebro finalmente consegue acalmar o suficiente para pensar.

O reinício de 60 segundos antes de carregar em “ligar”

Aqui fica um método simples: em vez de passar directamente de “pensar na chamada” para “marcar”, insira um ritualzinho estruturado de cerca de um minuto. Nada de místico. Apenas uma sequência precisa que diz ao seu sistema nervoso que está seguro, com recursos e pronto.

É assim:

1) Mude a postura. Ponha os dois pés no chão, sente-se ou fique de pé um pouco mais direito.
2) Expire lentamente pela boca, como se estivesse a embaciar um vidro. Depois faça uma inspiração profunda e fácil pelo nariz.
3) Diga uma intenção clara em voz alta ou em sussurro: “Estou a ligar para obter clareza, não para ser perfeito.” ou “O meu objectivo é ser honesto e calmo.”
4) Desvie o olhar do ecrã durante três segundos - para uma janela, uma planta, uma parede - qualquer coisa que não seja uma notificação.
5) Só então, e não antes, carregue no botão de chamada.

É só isto. Um minuto, no máximo. Não torna a chamada agradável. Conversas difíceis continuam a picar. O que muda é o quanto se sente drenado depois. Quando dá ao corpo uma pequena âncora como esta, a chamada deixa de parecer uma emboscada e passa a parecer algo em que sabe entrar - mesmo que não esteja entusiasmado.

É aqui que muita gente tropeça: acha que os rituais pré-chamada têm de ser elaborados para fazerem diferença. Longas páginas de diário. Meditações. Guiões completos. Sejamos honestos: ninguém faz isso realmente todos os dias.

O verdadeiro truque é mantê-lo pequeno o suficiente para o fazer às 15:17 entre duas reuniões seguidas. O seu pior inimigo aqui não é o medo; é complicar demais. Se o seu ritual demorar mais de um minuto, vai saltá-lo “só desta vez” - que, discretamente, vira todas as vezes.

Outro erro comum: transformar o reinício num ensaio de última hora. Passa por dez possíveis desfechos na cabeça, reescreve frases, tenta adivinhar como a outra pessoa vai reagir. Isso não o prepara; só o enrijece. O objectivo deste reinício de 60 segundos não é controlar a chamada. É entrar na chamada com os ombros um pouco menos levantados e a mente cerca de 20% mais calma. Esses 20% fazem uma diferença enorme quando lhe fazem uma pergunta difícil.

“A qualidade de uma conversa difícil é muitas vezes decidida nos 60 segundos antes de começar, não nos 10 minutos depois de dizer ‘estou?’.”

  • Mude a postura: assente bem os dois pés, descruze as pernas, relaxe os ombros.
  • Uma expiração lenta: expire durante mais tempo do que inspira para suavizar o sistema nervoso.
  • Defina a intenção: escolha um objectivo simples como clareza, respeito ou honestidade.
  • Olhe para longe do ecrã: dê aos olhos e ao cérebro um reinício de três segundos.
  • Depois marque: sem mais scroll, sem novos separadores, sem mais reescritas mentais.

Deixe a chamada ser difícil, sem deixar que ela mande no seu dia inteiro

A verdadeira mudança acontece quando deixa de esperar que chamadas difíceis sejam fáceis e, em vez disso, faz as pazes com o facto de serem geríveis. Não está a tentar tornar-se um robô destemido de negociação. Está apenas a tentar deixar de perder duas horas de energia por causa de uma conversa de três minutos.

Quando trata o momento pré-chamada como um pequeno espaço próprio - uma porta, e não um borrão - algo subtil muda. Deixa de contrabandear para a chamada presente todos os medos antigos, discussões passadas e desastres imaginados. Entra com uma intenção clara, uma respiração mais calma, um corpo assente. As palavras saem um pouco mais devagar, mas saem mais limpas.

Numa tarde tranquila, olhe para o registo de chamadas e lembre-se de quantas dessas conversas lhe custaram mais energia do que precisavam. Não porque fossem fáceis, mas porque entrou nelas já esgotado. Agora imagine que a chamada de amanhã com o seu chefe, o seu senhorio ou o seu irmão começa com um padrão diferente: uma pausa, uma respiração, um pensamento escolhido de propósito. Há algo discretamente radical em recusar que um toque determine o seu estado emocional.

Não precisa de meditar vinte minutos, mudar a sua personalidade ou passar a adorar confronto. Só precisa de mudar o que faz no minuto imediatamente antes de marcar. É aí que o seu dia ou se escoa… ou começa a sentir-se um pouco mais como se fosse seu.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Preparar o momento antes da chamada Tratar os 60 segundos antes de marcar como um espaço autónomo Reduz o stress antecipatório e a sensação de ser “sugado” pela chamada
Ritual de 60 segundos Postura, respiração, intenção, olhar para outro lado e só depois marcar Oferece um método simples, concreto e aplicável a meio de um dia de trabalho
Objectivo de gestão, não de perfeição Aceitar que a chamada continua difícil, mas menos esgotante emocionalmente Permite arriscar mais conversas difíceis sem gastar toda a energia

FAQ:

  • E se eu só tiver alguns segundos antes de uma chamada? Ainda pode usar uma versão “micro”: uma expiração lenta, uma frase de intenção e depois marcar. Mesmo 10 segundos criam uma entrada diferente na chamada.
  • Devo escrever um guião para chamadas telefónicas difíceis? Alguns tópicos em bullet points podem ajudar, mas evite discursos decorados. Foque a preparação em saber a sua mensagem principal e o resultado pretendido; depois use o reinício de 60 segundos para chegar calmo o suficiente para se adaptar.
  • E se a outra pessoa estiver zangada ou for rude? O reinício não a controla; estabiliza-o a si. Quando começa mais calmo, é menos provável que espelhe o tom dela e mais provável que mantenha a chamada mais curta, mais clara e mais amiga dos seus nervos.
  • Este método funciona em videochamadas ou reuniões presenciais? Sim, aplica-se o mesmo princípio. Use o minuto antes de clicar em “Entrar” ou de entrar numa sala para respirar, definir a intenção e ajustar a postura. O meio muda; o corpo não.
  • Quanto tempo até isto deixar de parecer estranho? Normalmente após algumas chamadas. No início o ritual parece um pouco encenado; depois o cérebro começa a associá-lo a “eu consigo lidar com isto” e torna-se um hábito silencioso e natural que quase nem nota.

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